Com a nova regra da CNH os preços despencaram, pacotes com duas aulas aparecem a partir de R$380 e instrutores autônomos cobram até metade do valor, pressionando empregos
A nova regra da CNH mudou a dinâmica do mercado de formação de condutores e reduziu custos ao ponto de autoescolas anunciarem pacotes por preços próximos a R$300.
Essa alteração elevou a competição, com instrutores autônomos oferecendo valores ainda menores, e acelerou cortes e fechamentos nas empresas tradicionais.
Os números sobre queda de preços e impactos no setor já aparecem em levantamentos e relatos do mercado, conforme informação divulgada pelo g1.
Queda de preços, ofertas nas cidades e exemplos
Antes da mudança, segundo o Ministério dos Transportes, aulas teóricas e práticas custavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Com a alteração, o ministro Renan Filho afirmou que o custo para tirar a primeira habilitação poderia cair até 70%, e a tendência se confirmou nas buscas por preços.
Em uma verificação em 10 cidades, o g1 encontrou valores a partir de R$ 380 para as categorias A ou B. Em Santos, SP, o pacote por esse valor inclui duas aulas práticas e uso de veículo da autoescola nas aulas.
O menor valor identificado entre instrutores credenciados foi de R$ 379,90 por duas aulas, preço que já incluía a taxa da prova do Detran de Goiás, de R$ 38,93. Em outros anúncios, instrutores cobravam entre R$ 80 e R$ 250 por hora.
Custos adicionais e variação por estado
Mesmo com pacotes baratos, há outras taxas que variam conforme o estado. Em São Paulo, por exemplo, o g1 listou os valores de exames e emissão, como exame teórico R$ 52,83, exame prático R$ 52,83, exame médico R$ 90, exame psicotécnico R$ 90, e emissão da versão física, R$ 137,79, sendo que a versão digital é gratuita.
Apesar dessas cobranças, o preço médio nas cidades pesquisadas ficou em torno de R$ 500 para um pacote com duas aulas práticas. Quando o aluno opta por mais horas, a média foi: cinco aulas R$ 900, dez aulas R$ 1.300, e vinte aulas R$ 1.900.
Impacto nas autoescolas e no emprego
A pressão por preços menores já provoca efeitos econômicos e sociais no setor. Segundo a Federação Nacional das Autoescolas, até a entrada em vigor da nova regra, o setor concentrava quase 300 mil empregos formais, com cerca de 1 milhão de vagas indiretas em todo o Brasil.
Representantes do setor e associações destacam cortes e fechamentos. Conforme relatos ao g1, Das 15 mil autoescolas afetadas, 3 mil fecharam as portas; Cerca de 60 mil funcionários foram demitidos. Wagner Freitas, diretor e assessor jurídico da Associação dos Centros de Formação de Condutores do Estado de São Paulo, disse, “Embora o tema seja altamente técnico, ele tem causado impacto econômico, social e jurídico significativo, afetando mais de 15 mil autoescolas e milhares de profissionais em todo o país”.
O que muda para quem vai tirar a CNH
Para quem busca a primeira habilitação, a principal consequência da nova regra da CNH é a redução do custo final e a maior oferta de pacotes e instrutores autônomos, o que pode facilitar o acesso, especialmente para quem prioriza preço.
Ao escolher entre autoescola tradicional e instrutor credenciado, é importante considerar, além do preço, aspectos como a qualidade das aulas, o veículo usado nas aulas, e as taxas estaduais que ainda incidem no processo.
O cenário deve continuar em transformação à medida que o mercado se ajusta, e o público interessado deve comparar preços e verificar credenciamento e condições antes de fechar o pacote.