quinta-feira, junho 4, 2026

Fortuna de bilionários bate recorde em 2025, Oxfam alerta sobre concentração de US$ 18,3 trilhões, influência política e risco à liberdade democrática

Share

Relatório da Oxfam mostra crescimento recorde da fortuna de bilionários em 2025 e liga concentração de riqueza à ampliação de poder político e risco à democracia

Um novo relatório da ONG Oxfam revela que a acumulação de riqueza entre os ultrarricos atingiu níveis inéditos em 2025, com consequências diretas sobre a política e a desigualdade social.

O documento destaca números e tendências que ligam a alta patrimonial à capacidade de acesso às instituições, à mídia e ao financiamento de campanhas, limites que, segundo a ONG, corroem direitos e liberdade política.

Os dados e as conclusões citadas a seguir foram divulgados por veículos que repercutiram o relatório, conforme informação divulgada pelo g1.

Recorde de riqueza em números

Segundo a Oxfam, no ano passado o mundo teve mais de 3.000 bilionários pela primeira vez, que juntos somavam uma fortuna de US$ 18,3 trilhões. O valor dos patrimônios dos bilionários aumentou 16,2%, taxa três vezes superior à média dos cinco anos anteriores.

O relatório afirma que os 12 bilionários mais ricos “possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade”, o equivalente a cerca de quatro bilhões de pessoas. Esses números, segundo a ONG, contrastam com a desaceleração na redução da pobreza desde a pandemia de 2020.

Influência política e riscos à liberdade

A Oxfam alerta que o acúmulo de riqueza facilita aos ultrarricos o acesso a instituições e veículos de comunicação, minando a liberdade política e corroendo direitos da maioria. A ONG estima que os ultrarricos “têm cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar um cargo político” do que cidadãos comuns.

O relatório cita exemplos nos Estados Unidos, onde o governo do então presidente Donald Trump inclui vários bilionários, e destaca ainda que “1 em cada 6 dólares gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos venha de doadores bilionários”, segundo Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam.

Além disso, a organização indica que “uma política que conta com o apoio dos mais ricos tem 45% de probabilidade de ser adotada, enquanto, quando eles se opõem, ela tem apenas 18%”, fator ligado ao monopólio da mídia, às redes sociais e à inteligência artificial.

Reações em Davos e pedido de medidas

O relatório foi divulgado no período de abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, onde houve protestos contra a presença de líderes como Donald Trump. Manifestantes disseram que o evento reúne pessoas poderosas que discutem o futuro sem legitimidade democrática.

A Oxfam, por meio de seu diretor-geral Amitabh Behar, adverte que “As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”, descrevendo um círculo vicioso entre concentração de riqueza e perda de direitos.

Como resposta, a ONG pede medidas concretas, como taxação efetiva dos ultrarricos e a proibição de que bilionários financiem campanhas políticas, para limitar seu poder e recuperar espaços democráticos.

O que muda e o que está em jogo

Para especialistas e ativistas ouvidos pela reportagem, os números da Oxfam indicam que decisões sobre impostos, regulação de empresas e controle de mídia terão impacto direto na capacidade de reduzir desigualdades.

Enquanto isso, políticas previstas nos EUA e acordos internacionais que afetam tributação de multinacionais são apontadas pela Oxfam como medidas que, se mantidas, tendem a beneficiar os mais ricos em escala global.

O debate, segundo o relatório, envolve não apenas estatísticas de riqueza, mas também perguntas sobre até onde governos estão dispostos a ir para proteger interesses concentrados, às custas das maiorias, e sobre como recuperar mecanismos democráticos de prestação de contas.

Leia Mais

Fique por dentro