quinta-feira, junho 4, 2026

Natalidade da China atinge nível mais baixo desde 1949, 7,92 milhões de nascimentos em 2025, queda de 17%, ONE e Nações Unidas apontam declínio populacional

Share

O recuo da natalidade da China em 2025 registra 7,92 milhões de nascimentos, taxa de 5,63 partos por mil habitantes, e intensifica pressões sobre economia e previdência social

A China registrou o menor número de nascimentos desde que as estatísticas começaram a ser medidas, em 1949, em um cenário que aumenta as preocupações com o envelhecimento da população.

Foram feitos esforços nos últimos anos para flexibilizar regras e incentivar nascimentos, mas a tendência de queda persistiu, com impacto direto na base de trabalhadores e no crescimento futuro.

A população do gigante asiático, estimada em 1,404 bilhão de habitantes, também caiu pelo quarto ano consecutivo, o que representa uma redução de 3,39 milhões de pessoas em um ano, conforme informação divulgada pelo g1

Números e recordes negativos

No ano passado, foram registrados 7,92 milhões de nascimentos, uma taxa de 5,63 partos por mil habitantes, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) nesta segunda-feira (19). Isso representa 1,62 milhão de nascimentos a menos do que no ano anterior, o equivalente a uma queda de 17%.

Esse é o nível mais baixo registrado desde o início da medição dessa estatística, em 1949, ano em que o líder comunista Mao Zedong fundou a República Popular da China, segundo o ONE.

O país também registrou em 2025 um total de 11,31 milhões de mortes, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 8,04 por mil habitantes, aumentando o descompasso entre óbitos e nascimentos.

Políticas e incentivos do governo

A China encerrou há uma década a rígida política do filho único, em vigor desde o início da década de 1980 para evitar o risco de superpopulação, em uma época em que a taxa de natalidade era de 17,82 nascimentos por mil habitantes.

Desde 2016, os casais passaram a poder ter um segundo filho. Cinco anos depois, Pequim flexibilizou ainda mais as regras, autorizando também o nascimento de um terceiro filho. Ainda assim, a taxa de natalidade seguiu diminuindo de forma constante nos últimos anos, com exceção de um pequeno aumento em 2024, quando foram registrados 6,77 nascimentos por mil habitantes.

As autoridades reconhecem que a queda da natalidade e o envelhecimento da população representam um desafio de longo prazo, e por isso buscam incentivar tanto os casamentos quanto os nascimentos. Desde 1º de janeiro, os pais podem receber cerca de 500 dólares (2.689 reais) por ano por cada filho com menos de três anos para ajudar nos cuidados. Além disso, as autoridades eliminaram as taxas das creches públicas desde o outono passado.

O governo adotou medidas que vão de subsídios para creches a ações simbólicas, como impostos sobre preservativos, mas os resultados até agora têm sido limitados frente a mudanças sociais profundas.

Causas sociais e projeções futuras

Especialistas apontam que incertezas sobre o futuro, o alto custo da educação, a responsabilidade de cuidar de pais idosos, e a prioridade que muitos dão à carreira e a novos estilos de vida desestimulam casais jovens a ter filhos.

Os casamentos também estão em níveis excepcionalmente baixos, o que agrava a tendência de queda da natalidade e reduz a base de formação de novas famílias.

Segundo projeções demográficas das Nações Unidas, a população chinesa pode cair dos atuais 1,4 bilhão para cerca de 633 milhões até o ano de 2100, um cenário que reforça a urgência de políticas de longo prazo para enfrentar desequilíbrios demográficos e econômicos.

Contexto econômico e próximo passos

Os dados demográficos foram divulgados no mesmo momento em que Pequim apresentou resultados econômicos de 2025, com um crescimento de 5%, valor considerado baixo para os padrões recentes da segunda maior economia do mundo.

Para autoridades, o desafio é conciliar estímulos às famílias com reformas estruturais que sustentem crescimento, seguridade social e oferta de serviços, em uma China que passa por transformações profundas no padrão de vida e nas expectativas das gerações mais jovens.

Leia Mais

Fique por dentro