quinta-feira, junho 4, 2026

Compras de café brasileiro 2025: por que apenas Japão, Turquia e China ampliaram importações enquanto EUA e Alemanha recuaram, segundo Cecafé

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Japão recompos estoque, Turquia redistribui para vizinhos e China acelera consumo, e o Brasil viu exportações cair 20,8% em volume no ano

Em 2025, apenas três dos dez maiores compradores aumentaram as compras de café brasileiro, enquanto a maioria reduziu o volume importado, em um cenário afetado por clima e barreiras comerciais.

O comportamento distinto do Japão, da Turquia e da China chamou atenção, por motivos diferentes, e ajuda a entender fluxos que fogem à tendência global de retração.

As informações e dados a seguir foram divulgados pelo Cecafé e compilados pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que Japão, Turquia e China ficaram fora da tendência

O Japão foi exceção ao movimento de queda, e trouxe de volta compras para recompor estoques. Segundo o relatório, “O Japão foi o quarto maior comprador de café brasileiro em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4% em relação a 2024”, informação atribuída ao levantamento citado pelo g1.

A Turquia ampliou as compras em 3,26%, para atender demanda interna e para redistribuição a países vizinhos, função que ganhou importância em contextos regionais de crise. O texto aponta que “A Turquia, sexta maior importadora do café brasileiro, ampliou as compras em 3,26% em 2025”, e cita ainda que, nas palavras de Márcio Ferreira, do Cecafé, “A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”.

Já a China registrou forte avanço, em ritmo de consumo crescente, conforme o levantamento, “Em 2025, a China comprou 19,49% mais café brasileiro do que no ano anterior, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg”. O presidente do Cecafé destacou que “Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro”, e que “O país segue numa crescente. Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”.

Tarifaço nos EUA e perda da liderança por volume

No mercado norte-americano, as exportações brasileiras caíram de forma acentuada após medidas tarifárias. O levantamento registra que “No mercado norte-americano, as exportações brasileiras caíram 33,9% em 2025 após o tarifaço, que continua em vigor para o café solúvel”.

Os efeitos foram suficientes para que os EUA deixassem de ser o principal importador do café brasileiro. “Os EUA, inclusive, deixaram de ser o principal importador de café brasileiro. A liderança passou para a Alemanha, que, mesmo assim, também reduziu as importações do produto”, e o relatório aponta que “As exportações para o país europeu caíram 28,7%”.

Volume, receita e o que isso significa para 2026

O quadro geral mostra queda em volume, mas receita em alta por preços internacionais. Conforme os dados divulgados, “Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, considerando todos os tipos do produto, para 121 países”. Esse volume “representa queda de 20,8% em relação a 2024, apesar da receita recorde, impulsionada pelos preços mais altos do café no mercado internacional”.

Analistas e exportadores observam que a combinação de menor oferta devido a problemas climáticos e o efeito de tarifas externas reconfigurou compradores e volumes em 2025. O comportamento do mercado chinês é apontado como sinal de demanda futura, enquanto a volatilidade das políticas comerciais mantém incerteza sobre a recuperação de volumes em 2026.

Para exportadores e produtores, a lição é ajustar estoques, buscar mercados alternativos e monitorar preços, porque, mesmo com menor volume, a receita permanece sensível à oscilação dos preços globais do café.

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