quinta-feira, junho 4, 2026

Só Japão, Turquia e China ampliaram compras de café brasileiro em 2025, mesmo com queda de 20,8% nas exportações e impacto do tarifaço dos EUA

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Entre os dez maiores importadores do Brasil, apenas Japão, Turquia e China aumentaram a compra de café brasileiro em 2025, por recomposição de estoques, redistribuição regional e crescimento do consumo interno

O Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café entre janeiro e dezembro de 2025, em todos os tipos do produto, para 121 países, segundo dados divulgados sobre o desempenho do agronegócio.

O volume representa queda de 20,8% em relação a 2024, embora a receita tenha batido recorde, em razão dos preços mais elevados no mercado internacional.

Entre os dez maiores importadores do país, apenas Japão, Turquia e China ampliaram compras do produto, enquanto mercados como Estados Unidos e Alemanha reduziram aquisições, conforme informação divulgada pelo g1.

Queda no volume e receita recorde

Apesar da redução de volume, a alta dos preços fez com que a receita das exportações alcançasse níveis inéditos, gerando um quadro em que menos sacas foram embarcadas, mas por valores maiores.

O recuo de 20,8% reflete efeitos climáticos sobre a produção e movimentos de mercado que comprimiram oferta e redistribuição global.

Por que Japão, Turquia e China compraram mais

O Japão foi o quarto maior comprador em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4%. Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, “O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque. Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar”.

A Turquia, sexta maior importadora, ampliou as compras em 3,26%, tanto para atender o mercado interno quanto para redistribuir o produto a países vizinhos. Ferreira afirmou, “A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”.

A China teve alta de 19,49% nas importações do Brasil em 2025, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg, e passou a figurar na 10ª posição do ranking. “Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro”, disse Márcio Ferreira. “O país segue numa crescente. Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”, acrescentou. “O que temos de consumo, agora, é muito aquém do que veremos nos próximos cinco, dez anos.”

Efeito do tarifaço dos EUA e mudança no ranking

No mercado norte-americano, as exportações brasileiras caíram 33,9% em 2025 após o chamado tarifaço, que permanece em vigor para o café solúvel. Com isso, os Estados Unidos deixaram de ser o principal importador do Brasil.

A Alemanha assumiu a liderança do ranking, mas também reduziu as compras do produto, com queda de 28,7% nas importações brasileiras.

O que muda para produtores e compradores

O cenário de menor volume e preços elevados tende a manter atenção sobre estoques e contratos futuros, e a diversificação de mercados, com foco em países que valorizam o arábica, deve ganhar importância para o setor.

Para o curto prazo, as oscilações climáticas e barreiras tarifárias continuam sendo fatores-chave que determinarão como o café brasileiro será negociado e para onde seguirá a demanda internacional.

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