A abertura registrou o dólar em alta a R$ 5,3791 por volta das 9h, com investidores atentos a declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia, ameaças de tarifas e ao calendário econômico
O mercado brasileiro iniciou a sessão com o dólar avançando, em meio a um cenário internacional marcado por atritos entre Estados Unidos e Europa e por eventos políticos que elevam a cautela dos investidores.
Além das negociações sobre a ilha ártica, analistas observam o Fórum Econômico Mundial em Davos e a agenda de autoridades do Federal Reserve, fatores que podem influenciar fluxo de capitais e a cotação do dólar.
Na véspera, a moeda americana encerrou em queda de 0,16%, cotada a R$ 5,3640, e a bolsa avançou 0,03%, aos 164.849 pontos, conforme informação divulgada pelo g1
Mercado local e dados de abertura
Por volta das 9h, o dólar subiu 0,28%, cotado a R$ 5,3791, enquanto o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, iniciou as negociações com expectativa de abertura às 10h.
Os acumulados mostram variações recentes que ajudam a medir a volatilidade, com o dólar em -0,16% na semana, -2,27% no mês e -2,27% no ano, e o Ibovespa com +0,03% na semana, +2,31% no mês e +2,31% no ano.
Tensões entre EUA e Europa após pressão sobre a Groenlândia
A tentativa do presidente Donald Trump de ampliar o controle americano sobre a Groenlândia abriu uma frente de atrito inusitada entre Washington e a União Europeia, elevando o receio de retaliações comerciais.
Líderes europeus classificaram as ameaças de tarifas como “inaceitáveis” e discutem possíveis contramedidas. A França pressiona o bloco a acionar o Instrumento Anticoerção, em reação à intenção de Trump de impor tarifas a oito países europeus.
A disputa sobre a ilha, que pertence à Dinamarca, levou à convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus em Bruxelas e a propostas de encontros adicionais, como uma reunião do G7 em Paris, na tentativa de buscar saída diplomática.
Risco de tarifaço, Davos e o Fed na mira dos investidores
As declarações de Trump e a possibilidade de ele anunciar um aumento de tarifas mantêm o mercado nervoso, com potenciais impactos em comércio e cadeias produtivas globais, e, consequentemente, na cotação do dólar.
O Fórum Econômico Mundial em Davos concentra líderes e agentes econômicos, e Trump deve discursar e se reunir com diversas partes para defender sua posição sobre a Groenlândia, segundo agendas públicas do evento.
No plano institucional, a audiência da diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, é acompanhada como um teste sobre a independência do banco central, após uma tentativa de demissão atribuída ao presidente americano.
Boletim Focus e perspectivas da economia brasileira
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central trouxe ajustes modestos nas projeções, com os economistas do mercado financeiro reduzindo a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%.
As projeções para os anos seguintes ficaram estáveis, com expectativa de inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029. Para o câmbio, o mercado manteve a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
No campo da política monetária, depois de a Selic ter encerrado 2025 em 15% ao ano, os analistas seguem esperando queda nos juros ao longo deste ano, com projeção de 12,25% ao final de 2026 e 10,50% ao fim de 2027.
Sobre atividade, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 foi mantida em alta de 1,80%, abaixo do ritmo previsto para 2025, indicando desaceleração, conforme dados do Boletim Focus.
Mercados globais e repercussões
Em um dia de feriado nos Estados Unidos, mercados de Wall Street ficaram fechados, enquanto a Europa registrou perdas, com o índice pan-europeu STOXX recuando 1,23%.
Entre as principais praças, o FTSE 100 caiu 0,39%, o DAX recuou 1,34% e o CAC 40 teve a maior queda, com perda de 1,78%, reflexo das tensões por tarifas.
Na Ásia, o desempenho foi misto diante de dados chineses de crescimento mais fraco, com Xangai subindo 0,29% para 4.114 pontos, o CSI300 avançando 0,05% para 4.734 pontos, e o Hang Seng caindo 1,05% para 26.563 pontos.
O Nikkei do Japão recuou 0,6% para 53.583 pontos, o Kospi da Coreia do Sul subiu 1,32% para 4.904 pontos, o Taiex de Taiwan avançou 0,73% para 31.639 pontos, e o Straits Times de Cingapura caiu 0,51% para 4.824 pontos.
O ambiente de maior risco político e a atenção a decisões de política monetária e fiscal seguem como principais determinantes do fluxo para ativos em reais e da cotação do dólar, cuja evolução será monitorada ao longo da semana.