María Corina Machado confirma apoio americano para viagem à Noruega e critica regime de Maduro
A líder opositora venezuelana, María Corina Machado, confirmou ter recebido auxílio do governo dos Estados Unidos para conseguir deixar a Venezuela e viajar até Oslo, na Noruega, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Machado vivia reclusa em seu país, impedida de sair por ordem do governo de Nicolás Maduro.
A chegada de Machado à capital norueguesa ocorreu na quarta-feira (10), após uma jornada que incluiu uma travessia de barco e um voo internacional. A informação sobre a ajuda americana foi divulgada inicialmente pelo jornal “The Wall Street Journal”, com base em fontes de Washington, e confirmada pela própria opositora em entrevista à agência de notícias AFP.
A viagem foi descrita como uma missão secreta, com a participação de aliados e familiares, que trabalharam para manter o trajeto em sigilo devido à perseguição do regime de Maduro. A opositora expressou gratidão a todos que arriscaram suas vidas para que ela pudesse estar presente e relatar ao mundo a situação na Venezuela.
Uma jornada secreta para a liberdade
María Corina Machado relatou que o regime de Nicolás Maduro fez “todo o possível” para impedir sua saída do país. Ela acredita que sua localização exata não era conhecida, o que evitou uma interceptação mais drástica. A jornada envolveu uma travessia de barco até Curaçao, de onde seguiu para a Europa de avião.
Apesar de não ter chegado a tempo da cerimônia oficial de entrega do Prêmio Nobel da Paz, que ocorreu na quarta-feira, sua filha, Ana Corina Machado, recebeu a honraria em seu nome. Machado afirmou que levará o prêmio de volta à Venezuela, demonstrando sua intenção de retornar ao país, mesmo diante das ameaças.
Machado critica o regime e vê um “momento de virada” para a Venezuela
Em coletiva de imprensa em Oslo, María Corina Machado reiterou seu compromisso com a luta pela liberdade e democracia na Venezuela. “Estou muito esperançosa que a Venezuela será livre e a transformaremos em um farol de liberdade, vamos restaurar a democracia”, declarou, vislumbrando um futuro onde o país seja um “centro democrático e econômico das Américas”.
Ela aproveitou para criticar duramente o regime de Maduro, descrevendo a Venezuela como um “polo do crime nas Américas”, com a presença de agentes russos e iranianos, grupos como Hezbollah e Hamas, além de guerrilhas colombianas e cartéis de drogas operando livremente com o apoio governamental. Machado enfatizou a necessidade de cortar o financiamento desse sistema repressivo.
Intervenção militar e a “invasão” de Maduro
Questionada sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, María Corina Machado adotou uma postura firme ao afirmar que “a Venezuela já foi invadida”, em referência às ações do governo Maduro. Ela citou a presença de forças estrangeiras e grupos armados ilegais como evidência dessa invasão.
Machado destacou que o regime de Maduro se sustenta por um “poderoso sistema de repressão, financiado pelo tráfico e a venda clandestina do petróleo”, e que é crucial cortar o apoio internacional a esse esquema. A líder opositora sente que “este é um momento de virada” para os venezuelanos, que percebem o apoio mundial à sua causa.
Apoio americano visto como sinal de cooperação
Fontes do governo americano, ouvidas pelo “The Wall Street Journal”, indicaram que a missão secreta de María Corina Machado foi vista pela administração Trump como um sinal de disposição para cooperar caso Nicolás Maduro deixe o poder. A agência “Bloomberg” também relatou que alguns membros do regime venezuelano podem ter auxiliado na saída de Machado.
Apesar dos esforços para sua participação presencial na cerimônia, a viagem secreta foi fundamental para que María Corina Machado pudesse receber o reconhecimento internacional e dar voz à luta do povo venezuelano por um país livre e democrático.