Dólar sobe 0,60% nesta terça com atenção a ameaças de tarifas de Trump sobre a Groenlândia, e Ibovespa recua enquanto investidores buscam proteção em ouro e reajustam posições
O mercado financeiro abriu em tom cauteloso nesta terça, com o dólar avançando frente ao real e operadores monitorando sinais de escalada entre Estados Unidos e países europeus.
A elevação da moeda ocorre em meio a ameaças de tarifas e à expectativa sobre discursos e reuniões em Davos, que aumentam a aversão ao risco global e reajustam fluxos para ativos mais seguros.
No Brasil, o Ibovespa recuou com o movimento externo, enquanto o preço do ouro subiu forte pela manhã, refletindo a busca por proteção diante da incerteza política e comercial.
conforme informação divulgada pelo g1
O que aconteceu com o dólar e com a bolsa
Na prática, o dólar operou em alta nesta terça-feira (20), com avanço de 0,60% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3961. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,27%, aos 164.397 pontos. Na véspera, a moeda americana encerrou em queda de 0,16%, cotada a R$ 5,3640.
Os acumulados apontam para variações recentes distintas, com o dólar mostrando: Acumulado da semana: -0,16%, Acumulado do mês: -2,27%, Acumulado do ano: -2,27%. Já o Ibovespa segue com: Acumulado da semana: +0,03%, Acumulado do mês: +2,31%, Acumulado do ano: +2,31%.
Por que as tensões políticas afetaram o mercado
As atenções se voltaram para a tentativa do presidente Donald Trump de ampliar o controle sobre a Groenlândia, e para as ameaças de tarifas a oito países europeus, o que elevou o receio de retaliações comerciais e abalos em cadeias econômicas.
Líderes europeus classificaram as ameaças como “inaceitáveis” e discutem respostas coordenadas, com a França pressionando a União Europeia a acionar o chamado Instrumento Anticoerção, em reação à possibilidade de uso de tarifas entre aliados.
O presidente francês Emmanuel Macron chegou a escrever, em mensagem tornada pública, “Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia”, numa demonstração da intensidade do choque diplomático.
Reação global e indicadores citados
O nervosismo tomou mercados em Wall Street e na Europa, e investidores buscaram proteção no ouro, que avançava 3,03% durante a manhã, cotado a US$ 4.734,55 por onça-troy. Por volta das 9h (horário de Brasília), o Dow Jones futuro caía 1,5%, o S&P 500 futuro perdia 1,6% e o Nasdaq futuro recuava 2%.
Na Europa, o índice STOXX 600 recuava 1,4%, ampliando perdas, com o CAC 40 caindo 1,2% para 8.014,42 pontos, o DAX recuando 1,5% para 24.581,44 pontos, e o FTSE 100 caindo 1,3% para 10.068,04 pontos.
Na Ásia, as sessões também foram pressionadas por fatores locais e externos, com SSEC em Xangai caindo 0,01% para 4.113 pontos, CSI300 recuando 0,33% para 4.718 pontos, Hang Seng caindo 0,29% para 26.487 pontos, Nikkei perdendo 1,1% para 52.988 pontos, Kospi caindo 0,39% para 4.885 pontos, Taiex subindo 0,38% para 31.759 pontos, e Straits Times recuando 0,23% para 4.823 pontos.
O que os investidores devem observar
Além das ameaças comerciais, mercados acompanham o início do Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump deve discursar e tentar defender sua posição sobre a importância estratégica da ilha, e a audiência da diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após tentativa de demissão, tema que testa a independência do banco central americano.
Em curto prazo, a combinação de retórica sobre tarifas, reações europeias e eventos em Davos deve manter volatilidade, e o investidor deve observar fluxos para ativos de proteção, movimentos do dólar frente ao real, e decisões políticas que podem alterar rapidamente o humor dos mercados.