Secretário do Tesouro dos EUA pediu calma à Europa sobre a Groenlândia, afirmou que tarifas são ferramenta de negociação e minimizou risco de ruptura entre aliados
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu nesta terça-feira em Davos que os países europeus evitem retaliações diante da intenção do presidente Donald Trump de assumir controle da Groenlândia.
Bessent afirmou que as tarifas anunciadas pelos EUA devem ser vistas como instrumento de negociação e não como um ataque direto à Europa, e pediu que os aliados “mantenham a mente aberta” sobre o tema.
As declarações ocorrem após Trump reafirmar que considera a Groenlândia estratégica para os EUA e anunciar a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, conforme informação divulgada pelo g1.
Pedido de calma e as mensagens de Bessent em Davos
Em coletiva no Fórum Econômico Mundial, Bessent disse, textualmente, “Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”.
O secretário explicou que o governo americano segue comprometido com o diálogo e afirmou que “O uso de tarifas tem sido uma ferramenta eficaz para trazer países à mesa de negociação em questões estratégicas”.
Além da Groenlândia, Bessent buscou reduzir o tom de crise e evitar uma escalada que pudesse afetar a cooperação entre aliados na Europa, mesmo com líderes europeus reforçando apoio à soberania dinamarquesa sobre a ilha.
Impacto nas relações transatlânticas e debate sobre gastos com defesa
Questionado sobre as consequências para a Otan, Bessent afirmou que a aliança permanece sólida, mas criticou os baixos gastos europeus com defesa.
Ele destacou um dado contundente, segundo o qual “Desde 1980, os EUA gastaram cerca de US$ 22 trilhões (cerca de R$ 118 trilhões) a mais em defesa do que o restante da Otan somado”, afirmando que chegou o momento de os europeus contribuírem mais.
Em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu que a soberania da Groenlândia é inegociável e classificou a ameaça de tarifas dos EUA como um erro, aumentando a tensão entre Bruxelas e Washington.
Risco financeiro e reação nos mercados
Bessent tentou afastar preocupações sobre efeitos imediatos nos mercados financeiros, dizendo que os movimentos recentes refletem fatores locais e não estão diretamente ligados à retórica americana sobre a Groenlândia.
Ele pediu que as partes priorizem o diálogo para evitar que disputas políticas causem instabilidade econômica, e ressaltou que as tarifas anunciadas servirão para negociar interesses estratégicos, não para romper relações.
Caso Lisa Cook e a recomendação sobre a presença de Powell na Suprema Corte
Também em Davos, Bessent comentou a polêmica envolvendo o Federal Reserve e a Suprema Corte. Ele disse à CNBC que o presidente do Fed, Jerome Powell, não deveria comparecer às audiências que tratam da tentativa do presidente Trump de demitir a diretora Lisa Cook, afirmando, “Eu realmente acho que isso é um erro”.
A Suprema Corte deve analisar os argumentos sobre a tentativa de destituição no dia 21, e até que haja decisão final, Lisa Cook permanece no cargo, após ter sido alvo de uma tentativa de remoção em agosto de 2025.
Segundo relatos, Powell planeja acompanhar pessoalmente os argumentos orais, gesto que ocorre em meio a críticas de Trump ao banco central e a alegações de pressões políticas contra a condução da política monetária.
O cenário em Davos coloca a Groenlândia no centro de uma disputa que mistura segurança, comércio e política interna americana, e deixa em aberto como aliados europeus e americanos vão administrar as tensões nas próximas semanas.