quinta-feira, junho 4, 2026

EUA pedem calma à Europa sobre Groenlândia e tarifa de 10%, Scott Bessent diz que medida é instrumento de negociação e minimiza risco entre aliados

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Em Davos, o secretário do Tesouro Scott Bessent pediu que europeus evitem retaliações pela controvérsia sobre a Groenlândia, afirmando que a tarifa de 10% é ferramenta de negociação

O recado foi direto e voltado aos aliados reunidos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Scott Bessent pediu que os países europeus mantenham a calma e não adotem medidas de retaliação imediatas, enquanto o governo dos EUA diz preferir o diálogo.

As declarações ocorreram em meio ao anúncio de uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, e às declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia, conforme informação divulgada pelo g1.

O apelo de Bessent e a mensagem direta

Questionado sobre a escalada diplomática, Bessent disse, literalmente, “Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, em coletiva no Fórum.

O secretário afirmou que o governo americano permanece comprometido com o diálogo, e que as medidas anunciadas devem ser vistas como meio para negociar, não como um ataque direto.

Segundo Bessent, “O uso de tarifas tem sido uma forma eficaz de levar países à mesa de negociação em temas estratégicos”, declaração que ele repetiu como justificativa para a estratégia.

Reação europeia e soberania da Groenlândia

Líderes europeus reagiram de forma imediata, reafirmando o apoio à soberania dinamarquesa sobre a ilha e criticando a ameaça das tarifas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou em Davos que a soberania da Groenlândia é inegociável e classificou como equivocada a ameaça de tarifas dos EUA.

A tensão aumenta porque o tema mistura preocupações estratégicas, soberania territorial e medidas comerciais, criando um campo sensível entre aliados.

Impacto econômico e segurança na Otan

Bessent procurou também minimizar temores sobre efeitos financeiros imediatos da disputa, dizendo que movimentos recentes nos mercados refletem fatores locais e não estão diretamente ligados ao debate sobre a Groenlândia.

Sobre a Otan, ele afirmou que a aliança segue sólida, mas criticou os gastos europeus com defesa, argumentando que os EUA têm arcado com mais custos.

Na conferência, Bessent afirmou que, “Desde 1980, os EUA gastaram cerca de US$ 22 trilhões (aproximadamente R$ 118 trilhões) a mais em defesa do que todos os demais países da Otan somados.”, para cobrar maior contribuição europeia.

Outros pontos em discussão, incluindo o Federal Reserve

Além do episódio da Groenlândia, Bessent comentou sobre a possível ida de Jerome Powell à Suprema Corte, afirmando que a presença do presidente do Fed na audiência sobre a permanência de Lisa Cook seria equivocada.

O secretário avaliou que, se a intenção é evitar a politização do banco central, a participação de Powell no processo pode ser um erro, e que a independência do Fed é relevante para a credibilidade da política monetária.

Nos próximos dias, a atenção em Davos deve se dividir entre o debate sobre defesa e comércio e as repercussões políticas internas dos EUA, enquanto líderes europeus e americanos tentam reduzir o risco de um rompimento entre aliados.

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