Dados da CNI mostram ICEI em 48,5 pontos, pior janeiro em 10 anos, e indicam que a confiança do empresário industrial segue baixa, mesmo com leve aumento de 0,5 ponto
O Índice de Confiança do Empresário Industrial, o ICEI, subiu 0,5 ponto em janeiro de 2026, chegando a 48,5 pontos, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria.
Apesar da alta, o resultado é o pior para o mês de janeiro desde 2016, ano marcado pela recessão econômica, e permanece abaixo do limite de confiança, que é de 50 pontos.
A pesquisa entrevistou 1.058 empresas, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes, entre 5 e 9 de janeiro, e mostra reação limitada diante da alta dos juros.
conforme informação divulgada pelo g1
Resultado geral do ICEI e o que os números significam
O ICEI varia de 0 a 100 pontos, e valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança dos empresários industriais. Com 48,5 pontos, o índice sinaliza que a percepção ainda é de pessimismo, mesmo com a pequena melhora.
O contexto atual inclui a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, fator apontado pela CNI como determinante para a queda da confiança.
Componentes: condições atuais e expectativas
Ao decompor o ICEI, o índice de condições atuais subiu 0,2 ponto, para 44 pontos, permanecendo abaixo de 50, o que indica que empresários consideram a situação atual pior do que há seis meses.
O Índice de Expectativas avançou 0,7 ponto, de 50 para 50,7 pontos, mostrando saída da neutralidade e um leve otimismo, puxado principalmente pela expectativa de desempenho das próprias empresas.
O que explica o recuo na confiança, segundo a CNI
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, avaliou o quadro, dizendo, “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”.
Segundo a entidade, o otimismo nas expectativas é mais limitado ao setor empresarial, enquanto as perspectivas para a economia como um todo ficaram mais negativas.
Perspectivas e impacto para empresas
Com a Selic em 15% ao ano, a referência para empréstimos a pessoas físicas e empresas ficou mais cara, afetando investimento e consumo, e ajudando a manter a confiança empresarial fragilizada.
Para reverter o quadro, especialistas apontam que é preciso combinação de queda da inflação, redução gradual dos juros e sinais concretos de recuperação da atividade, fatores que podem levar o ICEI a voltar acima de 50.