quinta-feira, junho 4, 2026

França avisa que aplicar provisoriamente o acordo UE–Mercosul seria desrespeito à democracia, Parlamento leva texto ao TJUE e Alemanha pede agilidade

Share

Crise política na União Europeia sobre o acordo UE–Mercosul, com Paris defendendo respeito ao Parlamento e Berlim pedindo credibilidade internacional

O futuro do acordo UE–Mercosul entrou em nova fase de tensão depois que o Parlamento Europeu decidiu enviar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

A possível aplicação provisória do tratado, antes da análise do tribunal, provocou reação firme do governo francês, e gerou debate entre Estados-membros sobre procedimentos e imagem externa do bloco.

O impasse pode atrasar a entrada em vigor do acordo por meses, mesmo após a assinatura celebrada na última semana, conforme informação divulgada pelo g1

Votação no Parlamento e caminho jurídico

Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto do acordo ao Tribunal de Justiça da UE, que irá analisar se o tratado respeita as normas e os fundamentos jurídicos do bloco.

A decisão foi apertada, 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, e na prática impede que o acordo entre em vigor de forma definitiva por vários meses.

Enquanto o tribunal analisa o caso, a Comissão Europeia ainda pode optar por uma aplicação provisória, mas essa possibilidade é justamente o ponto de maior conflito político.

Posição de Paris, citações e argumentos

O governo francês reagiu duramente à possibilidade de o acordo começar a valer antes da análise da Justiça europeia. Para Paris, aplicar o tratado de forma provisória, mesmo após o Parlamento pedir a revisão do texto pelo tribunal, seria um desrespeito às regras democráticas do bloco.

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, afirmou que uma decisão desse tipo por parte da Comissão Europeia seria inaceitável no atual contexto político, e que, após a votação ocorrida no Parlamento, não faria sentido ignorar a posição dos eurodeputados.

Resposta da Alemanha e riscos para a credibilidade

Na direção oposta, a Alemanha defendeu que a União Europeia siga adiante com o acordo UE–Mercosul para preservar sua credibilidade internacional.

O Ministério da Economia alemão afirmou que a assinatura do tratado foi um sinal importante para o resto do mundo, e a ministra da Economia, Katherina Reiche, publicou que a UE precisa honrar o compromisso assumido e se manter como um parceiro confiável no comércio global.

Impacto econômico e próximos passos

O tratado, assinado no último sábado (17) pelos dois blocos, foi celebrado por líderes como um marco histórico para o comércio entre Europa e América do Sul.

Conforme divulgado, Com mais de 700 milhões de consumidores, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo os 27 países da União Europeia e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e O texto prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% das trocas comerciais entre os blocos.

Se o Tribunal de Justiça identificar problemas no texto, o acordo precisará passar por ajustes, o que pode atrasar sua aprovação final em pelo menos seis meses. Caso a Corte conclua que não há incompatibilidades, o processo volta ao Parlamento para nova votação.

No momento, a Comissão Europeia diz que nenhuma decisão sobre aplicação provisória foi tomada, e o debate político entre Estados-membros deve definir os próximos passos.

Leia Mais

Fique por dentro