Dólar opera com leve avanço nesta quinta, com investidores de olho no PCE de novembro, na leitura final do PIB do 3º trimestre dos EUA e em sinais de menor risco geopolítico
O mercado brasileiro abriu a sessão desta quinta-feira com o dólar em leve alta, enquanto investidores se posicionam para dados importantes dos Estados Unidos e para um ambiente externo mais calmo.
Às 10h, o Ibovespa ainda não havia começado oficialmente a sessão, e o foco dos agentes estava nos indicadores americanos, que prometem definir o ritmo das taxas e do apetite por risco.
Os movimentos no exterior, entre eles o recuo do presidente Donald Trump em medidas comerciais e declarações sobre a Groenlândia, também influenciam a rotação de recursos para mercados emergentes, incluindo o Brasil, conforme informação divulgada pelo g1.
Leitura dos indicadores americanos e impacto no dólar
Entre os eventos que movem o dólar está a divulgação do PCE de novembro, o indicador de inflação usado pelo Federal Reserve, cuja publicação foi adiada por conta do shutdown que terminou em novembro, após 43 dias de paralisação do governo.
Também na agenda americana está a leitura final do Produto Interno Bruto do terceiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 4,3%, além dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego, que ajudam a compor o cenário macro para decisões de política monetária.
No curto prazo, leituras de inflação e atividade mais fortes podem sustentar o dólar, ao passo que sinais de desaceleração favorecem moedas de maior risco, entre elas o real.
Dados e referências locais, citações e números
Na véspera, a moeda americana recuou 1,13%, a R$ 5,3196, e o Ibovespa encerrou com alta de 3,33%, o maior ganho diário desde abril de 2023, chegando aos 171.817 pontos.
Em outro registro do pregão anterior, o g1 informou que, no Brasil, o Ibovespa se destacou e encerrou o pregão de quarta-feira em 171.816,67 pontos, um novo recorde de fechamento, enquanto durante a sessão o índice chegou a 171.969,01 pontos em máxima intradia.
No balanço de desempenho, as estatísticas apontam para o dólar, acumulado da semana: -0,98%, acumulado do mês: -3,08%, acumulado do ano: -3,08%. Para o Ibovespa, acumulado da semana: +4,26%, acumulado do mês: +6,64%, acumulado do ano: +6,64%.
Rupturas políticas e o recuo de Trump
O alívio externo veio após o presidente americano recuar das ameaças de impor tarifas a países europeus e afirmar ter alcançado uma estrutura de entendimento sobre a Groenlândia em conversa com o secretário-geral da Otan.
Na publicação citada pelo g1, Trump disse, “Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico”, e afirmou que, se concretizado, “será muito positiva para os EUA e para todos os países da Otan”.
Autoridades europeias, porém, foram rápidas em negar que a soberania tenha sido discutida, incluindo declarações do primeiro-ministro da Dinamarca e de porta-vozes da Otan, o que manteve a atenção dos investidores sobre possíveis repercussões diplomáticas.
Reação das bolsas globais e efeito sobre mercados emergentes
O recuo nas tensões ajudou a recompor o apetite por risco, com bolsas globais operando em alta. Em Wall Street, por volta das 9h15, os contratos futuros indicavam avanços, com o Dow Jones subindo 0,41%, o S&P 500 avançando 0,60% e o Nasdaq ganhando 0,87%.
Na Europa, o STOXX 600 subiu 1,08%, com destaque para o DAX da Alemanha em alta de 1,18%, o CAC 40 da França com 0,93%, o FTSE MIB da Itália com 0,96% e o FTSE 100 de Londres com 0,43%.
Na Ásia, os resultados foram mistos, mas positivos em várias praças, como em Xangai, SSEC +0,14% e CSI300 +0,01%, em Hong Kong, Hang Seng +0,17%, em Tóquio, Nikkei +1,7%, em Seul, KOSPI +0,87%, em Taiwan +1,60% e em Singapura, Straits Times +0,33%.
Esses movimentos favoreceram a migração de recursos para mercados emergentes na sessão anterior, contribuindo para o fortalecimento do Ibovespa e para a menor pressão de alta sobre o dólar frente ao real.
O cenário segue sensível a notícias econômicas dos EUA, a desdobramentos diplomáticos e a indicadores domésticos, que devem manter a volatilidade e a atenção de investidores nas próximas sessões.