quinta-feira, junho 4, 2026

ApexBrasil inicia campanha na Europa para defender o acordo Mercosul-UE, Jorge Viana anuncia viagens a empresários e articulação com Davi Alcolumbre

Share

Campanha da ApexBrasil quer mostrar que o Brasil não é ‘bicho-papão’, reforçar apoio ao acordo Mercosul-UE e articular visitas ao Parlamento Europeu

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Jorge Viana, afirmou que dará início a uma campanha para promoção da imagem do Brasil na Europa.

Na prática, Viana disse que fará viagens de sensibilização com o objetivo de alcançar empresários europeus, em meio à turbulência política sobre o texto do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

Ele também conversou com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, sobre a possibilidade de uma visita ao Parlamento Europeu, e a ideia deve se estender às casas legislativas dos países que integram o Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.

Plano de ação da ApexBrasil

A estratégia anunciada pela ApexBrasil combina viagens de sensibilização, diálogos com setores empresariais e ações de comunicação para melhorar a percepção do país na Europa.

Segundo Viana, a campanha terá como objetivo principal mostrar que o Brasil não é um “bicho-papão”, frase usada por ele para resumir a intenção de reduzir temores e atritos comerciais em torno do acordo Mercosul-UE.

O presidente da agência disse que a tática seguirá o modelo adotado em episódios anteriores, como durante a questão do “tarifaço”, apostando no diálogo direto com empresários e parlamentares estrangeiros.

Reação do Parlamento Europeu e implicações jurídicas

O anúncio da campanha ocorre depois da decisão do Parlamento Europeu de encaminhar o texto do acordo à Justiça, órgão que ficará responsável por analisar a legalidade do documento.

Viana classificou a decisão como uma “manobra política”, em suas palavras, “Lá no Parlamento Europeu foi, no fundo, uma manobra política dos que eram contra. Tentaram uma vez, tentaram outra e agora conseguiram, com números muito pequenos de diferença, em uma operação que faz parte do jogo da política”.

Ao mesmo tempo, ele reconheceu o caráter legítimo do movimento, afirmando “Tem que respeitar isso. Mas nós vamos fazer a nossa parte”, e frisou que a resposta brasileira será baseada no diálogo e na persuasão.

Articulação política interna e expectativa sobre a vigência do acordo

No plano interno, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, teria sinalizado que a aprovação do acordo será tratada como prioridade na retomada dos trabalhos do Congresso Nacional.

Sobre a possibilidade de o acordo entrar em vigor ainda em 2026, mesmo que de forma provisória, Viana disse estar otimista, lembrando que “Essa pergunta é difícil de responder. Eu sou otimista. Acho que vamos encontrar uma solução ainda neste ano”.

Ele complementou que não é possível afirmar se a entrada em vigor seria precária, porque há quem defenda essa alternativa, mas também existe o argumento de que poderia gerar “insegurança jurídica e ações judiciais”, o que tornaria o cenário mais complexo.

O que vem a seguir

ApexBrasil parte para uma fase de interlocução com parlamentares e empresários europeus, enquanto o litígio jurídico sobre o acordo pode atrasar ou alterar o calendário de implementação.

Com a combinação de diplomacia econômica e articulação política, o governo e a agência esperam reduzir resistências e buscar uma tramitação mais favorável ao acordo Mercosul-UE nos próximos meses.

Leia Mais

Fique por dentro