quinta-feira, junho 4, 2026

EUA, Ucrânia e Rússia se reúnem em Abu Dhabi para negociar controle do Donbas e cláusulas finais de paz, com documentos ‘quase prontos’ e exigência russa de retirada

Share

Em cúpula inédita, equipes discutirão territórios pendentes e garantias de segurança, com foco no Donbas, enquanto Kremlin reafirma condição de retirada das tropas ucranianas

A primeira reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia começou em Abu Dhabi com a missão de resolver as últimas questões que impedem o fim da guerra, sobretudo a disputa pelo Donbas.

Delegações técnicas participam do encontro entre sexta e sábado, em formato que inicialmente não envolve os presidentes dos três países, segundo relatos sobre a cúpula.

As conversas ocorrem após avanços em acordos de segurança entre Kyiv e Washington, e com sinais de Moscou de que pode aceitar um desfecho, desde que suas condições sejam atendidas, conforme informação divulgada pelo g1

O que está em pauta em Abu Dhabi

As negociações terão como ponto central o controle do Donbas, uma das últimas questões territoriais a ser resolvida entre os países em conflito.

O presidente ucraniano afirmou que “O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”, indicando que o tema terá atenção prioritária nas conversas.

Fontes apontam que documentos para encerrar a guerra estão “quase prontos”, depois de acordos preliminares sobre garantias de segurança que os EUA forneceriam no pós-guerra.

Posições públicas e exigências

Antes do encontro, o Kremlin reafirmou que a retirada das forças ucranianas de Donbas é uma condição para um acordo. O porta-voz Dmitry Peskov declarou que “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”.

A posição russo-russa também foi resumida por menções a uma suposta “fórmula Anchorage”, numa referência velada a encontros anteriores entre líderes mundiais, e chama atenção para a rigidez das demandas de Moscou.

Do lado ucraniano, Volodymyr Zelenskiy pediu que os russos “estejam preparados para chegar a compromissos” e deixou claro que para Kyiv é inaceitável ceder territórios que ainda estejam sob controle ucraniano.

Avanços diplomáticos e atores envolvidos

Os EUA tiveram papel ativo nos preparativos, após encontro entre Trump e Zelensky às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, no qual, segundo relatos, foram discutidas garantias de segurança e fornecimento de equipamentos de defesa aérea.

Presenças relevantes na cúpula incluem o líder da delegação russa, o almirante Igor Kostyukov, e o enviado especial de Trump para a guerra, Steve Witkoff, que se encontrou com Vladimir Putin em Moscou para avançar nas negociações.

Witkoff indicou que um acordo pode estar próximo, afirmando que “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia” para ser resolvida, expressão que alimenta expectativas sobre a possibilidade de um desfecho rápido.

Caminhos e obstáculos para um acordo

Enquanto EUA, Ucrânia e Rússia tentam articular um texto final, persistem divergências essenciais, sobretudo sobre soberania territorial e garantias de segurança, pontos que determinarão se um acordo será duradouro.

Para Kyiv, aceitar perdas territoriais não é viável, enquanto Moscou condiciona qualquer cessar-fogo a garantias que incluam saída de tropas ucranianas de áreas reivindicadas pela Rússia.

O sucesso das conversas em Abu Dhabi dependerá da disposição das partes a ceder em pontos sensíveis, da clareza das garantias oferecidas pelos EUA, e da capacidade de transformar documentos “quase prontos” em compromissos verificáveis no terreno.

Leia Mais

Fique por dentro