Reunião em Abu Dhabi tenta resolver a última grande questão do conflito, a disputa territorial do Donbas, enquanto os EUA oferecem garantias de segurança
Delegações da Ucrânia, Rússia e EUA se encontram pela primeira vez em formato trilateral em Abu Dhabi, em uma nova tentativa de finalizar a guerra que já dura anos.
O objetivo do encontro é fechar documentos que, segundo autoridades ucranianas e americanas, estão “quase prontos”, com a questão territorial, especialmente o controle do Donbas, sendo apontada como a última pendência entre os países.
As negociações começam sem a presença dos presidentes no local, com delegações técnicas e diplomáticas, conforme informação divulgada pelo g1.
O que está em discussão em Abu Dhabi
Na cúpula, que ocorre entre sexta-feira e sábado, equipes vão negociar detalhes sobre o controle do Donbas, um território que se tornou o epicentro da disputa, e as garantias de segurança que os EUA se comprometeriam a oferecer à Ucrânia em um eventual pós-guerra.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que “O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”. A fala do líder ucraniano reforça a prioridade dada à definição do status da região durante as conversas.
Posição russa e exigência de retirada
Antes do encontro, o Kremlin reiterou que a condição para aceitar um acordo que finalize o conflito inclui a retirada das Forças Armadas ucranianas do Donbas. O porta-voz Dmitry Peskov declarou que “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”.
Peskov também mencionou uma suposta “fórmula Anchorage”, em aparente referência ao encontro entre líderes no Alasca, em uma mensagem dirigida aos EUA sobre caminhos para a paz.
Garantias de segurança dos EUA e documentos quase prontos
Zelensky afirmou que houve avanço nas conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente sobre garantias de segurança que os americanos providenciariam ao país após o conflito. O líder ucraniano disse que os documentos para finalizar a guerra estão “quase prontos”.
Segundo relatos, as conversas de Zelensky com Trump em Davos abordaram o fornecimento de equipamentos de defesa aérea e os mecanismos de segurança no pós-guerra. A Ucrânia condiciona qualquer concessão territorial a garantias robustas e verificáveis, e afirma que não pode ceder territórios ainda sob seu controle.
Negociações, delegações e sinais do terreno
A reunião trilateral não envolve inicialmente os três presidentes, e a delegação russa será liderada pelo almirante Igor Kostyukov. Do lado americano, o enviado especial de Trump para a guerra, Steve Witkoff, se encontrou com Vladimir Putin em Moscou na véspera, em conversas descritas como tentativas de avançar na resolução do conflito.
Witkoff indicou que “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia” para ser resolvida, sugerindo que os termos principais já foram debatidos e que a definIção final recai sobre a disputa territorial, sobretudo o Donbas.
Enquanto a Rússia diz estar disposta a finalizar o conflito desde que sob seus termos, a Ucrânia exige que qualquer solução respeite sua soberania e não implique perda de territórios que ainda controla, uma linha que Zelensky tem reafirmado publicamente.
O desafio de transformar a diplomacia em um acordo duradouro
A cúpula em Abu Dhabi representa um teste político e técnico, em que detalhes sobre segurança, garantias econômicas e verificação militar precisarão ser alinhados para que um documento final seja aceite por todas as partes.
Analistas apontam que mesmo se as delegações chegarem a um consenso técnico, a ratificação política e as condições de implementação no terreno serão determinantes para a sustentabilidade de qualquer acordo, especialmente em relação ao Donbas e ao mecanismo de retirada ou presença militar.
Com negociações em andamento e declarações públicas pressionando por resultados, o encontro trilateral entre Ucrânia, Rússia e EUA em Abu Dhabi pode ser decisivo, ou pode apenas abrir um novo capítulo de conversas, dependendo da disposição das partes em fazer concessões sobre o território e as garantias oferecidas.