Cúpula de equipes negociais tratará garantias de segurança dos EUA, controle do Donbas e documentos ‘quase prontos’, enquanto Moscou exige retirada das tropas ucranianas
A primeira reunião trilateral envolvendo equipes dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia abriu em Abu Dhabi com o objetivo de avançar negociações que possam encerrar o conflito, focando nas questões pendentes sobre território e garantias de segurança.
As delegações vão discutir, entre outros pontos, o controle da região do Donbas e as salvaguardas que os EUA ofereceriam à Ucrânia em um cenário pós-guerra, segundo declarações dos líderes envolvidos.
O encontro, que não envolve inicialmente os chefes de Estado, ocorre em meio a pedidos russos por anexação e exigência de retirada de tropas ucranianas, e a sinalizações de que os documentos para um acordo de paz estão adiantados. Conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário do encontro e participantes
As conversas em Abu Dhabi reúnem equipes técnicas para negociar os termos finais, com o almirante Igor Kostyukov à frente da delegação russa, segundo as informações divulgadas. A etapa não contempla, por ora, reuniões diretas entre os presidentes, apesar de contatos paralelos nas últimas semanas.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o Donbas é uma questão central, e que será debatido no formato apropriado durante a cúpula, conforme disse em coletiva on-line, “O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”.
Posições sobre o Donbas e condição russa
O Kremlin voltou a reiterar que a retirada das Forças Armadas ucranianas do Donbas é uma condição essencial para qualquer acordo, conforme declaração do porta-voz Dmitry Peskov, “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”.
Peskov ainda mencionou a chamada “fórmula Anchorage” como uma referência codificada ao papel dos Estados Unidos nas negociações, sinalizando que Moscou mantém termos rígidos sobre a questão territorial, enquanto a Ucrânia diz ser inaceitável ceder territórios ainda sob seu controle.
Documentos, garantias de segurança e papel dos EUA
O presidente ucraniano afirmou que os documentos para finalizar a guerra estão “quase prontos”, após consenso com o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre as garantias de segurança que Washington providenciaria no pós-conflito. A reunião entre Zelensky e Trump, às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, durou cerca de uma hora, segundo relatos.
O enviado especial de Trump para a guerra, Steve Witkoff, também se encontrou com Vladimir Putin em Moscou, e afirmou que, nas negociações, “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia”, sugerindo que os avanços estão próximos, embora sem detalhes públicos.
Riscos, próximas etapas e incertezas
Apesar do otimismo anunciado por alguns interlocutores, persiste a divergência sobre o destino do Donbas e sobre exigências de retirada, fatores que podem impedir um acordo final. Zelensky afirmou que “os russos devem estar preparados para chegar a compromissos”, apontando para a necessidade de concessões mútuas.
O desfecho dependerá da capacidade das partes de harmonizar as garantias de segurança oferecidas pelos EUA com as demandas territoriais de Moscou, e da disposição russa em aceitar compromissos que não impliquem anexação total. A cúpula em Abu Dhabi seguirá nas próximas horas, com atenção internacional sobre se as negociações conseguirão transformar os documentos adiantados em um acordo de paz duradouro.
Em paralelo, o presidente Trump declarou que acredita que o fim do conflito pode estar próximo, “Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve”, enquanto a diplomacia continua buscando fechar a última questão entre as partes.