Em Abu Dhabi, negociações buscam resolver a última pendência territorial, o controle do Donbas, enquanto EUA avançam em garantias de segurança e textos ficam quase concluídos
As equipes de negociação dos três países se reúnem pela primeira vez em formato trilateral, com encontros previstos entre sexta e sábado em Abu Dhabi, para tentar finalizar os termos que encerrariam a guerra, incluindo a questão do Donbas.
O principal ponto de divergência é territorial, e as conversas envolvem concessões sensíveis entre Kiev e Moscou, além de garantias de segurança que os EUA ofereceriam após um eventual acordo.
O encontro não envolve, por enquanto, os chefes de Estado, e a delegação russa será liderada pelo almirante Igor Kostyukov, enquanto negociações paralelas ocorreram em Moscou, com interlocutores americanos procurando acelerar um desfecho diplomático, conforme informação divulgada pelo g1
O foco em Donbas e as exigências russas
O presidente ucraniano afirmou que, “O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã“, em declaração online, destacando a prioridade do tema para Kiev.
Antes do início das tratativas, o Kremlin voltou a condicionar qualquer acordo à saída das Forças Armadas ucranianas da região, com o porta-voz Dmitry Peskov afirmando, “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante“.
Documentos ‘quase prontos’ e as garantias dos EUA
Segundo relatos, os textos que descreveriam o fim do conflito estão, nas palavras do presidente ucraniano, “quase prontos”, após avanços nas conversas sobre as garantias de segurança que os EUA forneceriam no pós-guerra.
O encontro entre o presidente da Ucrânia e o presidente dos Estados Unidos, nas margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, foi citado como decisivo para alinhar essas garantias, que incluem, entre outros pontos, fornecimento de equipamentos de defesa aérea.
Conversas paralelas e sinais de proximidade do acordo
O enviado especial do presidente americano, Steve Witkoff, se reuniu com Vladimir Putin em Moscou, em uma tentativa de acelerar o processo. Witkoff disse que “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia” para a conclusão, indicando que as negociações podem estar perto de um desfecho.
O presidente Trump também afirmou que um acordo pode estar próximo, evocando sucesso em negociações anteriores, e sugeriu que o fim do conflito pode ocorrer em breve, embora já tenha feito declarações semelhantes no passado.
Riscos, ultimatums e perspectivas
Kiev mantém que não aceitará ceder territórios ainda sob seu controle, e o presidente ucraniano advertiu que os russos devem se preparar para fazer concessões, dizendo que “os russos devem estar preparados para chegar a compromissos”.
Ao mesmo tempo, Zelensky acusou a Rússia de tentar “congelar os ucranianos até a morte“, em referência aos ataques à infraestrutura, o que adiciona pressão humanitária e política às negociações.
Nos próximos dias, a disputa sobre o Donbas e as garantias de segurança dos EUA serão o termômetro da viabilidade de um acordo, com todas as partes sob pressão para transformar avanços técnicos em decisões políticas duradouras.