Comissão Europeia vai propor estender congelamento das medidas até nova avaliação, pacote de 93 bilhões de euros deveria entrar em vigor em 7 de fevereiro, e diálogo com EUA segue
A Comissão Europeia informou que pretende prorrogar por mais seis meses a suspensão de um pacote de medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos.
As punições estavam previstas para entrar em vigor em 7 de fevereiro, mas, segundo a Comissão, devem continuar congeladas enquanto as negociações e o diálogo prosseguem.
O anúncio ocorre após episódios recentes envolvendo a Groenlândia e declarações do presidente Donald Trump, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a prorrogação foi decidida
O pacote, elaborado no ano passado no contexto das negociações entre UE e EUA, foi avaliado em 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 577 bilhões, na cotação atual).
Em agosto de 2025 as partes chegaram a uma declaração conjunta sobre comércio, o que levou à suspensão temporária das medidas, e agora a Comissão optou por manter o clima de diálogo em vez de ativar as sanções.
O congelamento deveria começar em 7 de fevereiro, mas a proposta que a Comissão vai apresentar visa estender essa suspensão por mais seis meses, dando mais tempo para negociações e avaliações políticas.
O que a Comissão informou e a possibilidade de retorno das medidas
O porta-voz da Comissão, Olof Gill, destacou que as retaliações permanecem apenas “em espera”, e que elas podem ser reativadas caso as tensões voltem a escalar.
Segundo a comunicação oficial, a prorrogação será formalizada por meio de uma proposta que deve ser apresentada em breve, mantendo a opção de usar as medidas como instrumento de pressão futura.
Esse posicionamento reflete a estratégia da UE de combinar firmeza, para proteger interesses comerciais, com disposição para diálogo, enquanto monitora ações dos EUA.
Contexto recente e declarações de Donald Trump
Na semana anterior, o presidente americano ameaçou impor novas tarifas a países europeus, reacendendo a perspectiva de resposta da União Europeia.
No entanto, em Davos, Trump afirmou ter chegado a um entendimento sobre o futuro da Groenlândia e recuou da imposição de tarifas extras, e também disse que não pretende usar força militar, segundo registros das declarações.
A proposta de compra da Groenlândia foi rejeitada pela Dinamarca, pela Groenlândia e pela UE, e as declarações aumentaram a tensão diplomática, levando líderes europeus a reforçar discursos sobre defesa e soberania.
Impactos esperados e próximos passos
Se reativadas, as medidas poderiam atingir setores e produtos variados, e o montante de 93 bilhões de euros ressalta a escala das opções disponíveis à UE.
Por ora, a Comissão escolheu adiar a aplicação das sanções, aguardando os desdobramentos diplomáticos e o resultado das conversas com os EUA.
Nos próximos dias, a proposta formal de extensão será apresentada à instituição responsável, e o bloco europeu continuará avaliando a necessidade de manter as retaliações em espera ou de reativá-las caso a situação se deteriore.