Depoimento à Polícia Federal afirma que plano do Banco Master era 100% baseado no FGC, que virou principal fonte de captação até comunicação do Banco Central e o negócio com o BRB
O presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu à Polícia Federal que a instituição enfrentou problemas de liquidez e que o modelo de negócio do banco era baseado no Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Segundo a transcrição do depoimento obtida pelo blog, feita via inteligência artificial, Vorcaro disse que a crise de liquidez ganhou força após relatórios e comunicações do Banco Central e após anúncio sobre a venda do banco, o que fechou fontes de captação.
O dono do Master afirmou que a cessão de ativos chegou a ser a principal forma de captação, e que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês antes de reduzir o tamanho das operações para preservar liquidez, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Vorcaro disse à PF
Vorcaro declarou à delegada responsável que havia uma crise e uma pressão de liquidez, e que relatórios do Banco Central indicaram que essa pressão ocorreu por movimentação na regulação e por fatores do mercado financeiro.
Ele apontou que o plano de negócio do banco era 100% baseado no FGC, e que, segundo seu depoimento, não havia irregularidade nesse modelo até que as regras foram alteradas, quando o banco já estava em crescimento.
O executivo relatou que, até o anúncio de que o Master seria comprado pelo BRB, a cessão de ativos era a principal captação, e que depois do comunicado sobre a venda as fontes de captação foram, segundo ele, fechadas por completo.
Como funciona o FGC e o ressarcimento aos investidores
O FGC é uma associação privada sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional, com o objetivo de proteger depositantes e prevenir crises bancárias. Na prática, age como um seguro para recursos em bancos.
Na sequência dos acontecimentos, “Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ os correntistas e investidores que tinham recursos no Master. Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19).”
Impacto nas operações e origem das perdas
No depoimento, Vorcaro afirmou que o banco chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês, mas que esse volume foi reduzido para garantir liquidez. Uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024 foi citada como motivo para montar um plano de ação.
Ele também relatou que pressões por mudança de regulação e reações do mercado financeiro agravaram a retirada de recursos, e que a percepção pública sobre a venda ao BRB acelerou o fechamento das linhas de captação.
Próximos passos da investigação e consequências
A Polícia Federal segue com a investigação, e o depoimento de Vorcaro integra a apuração sobre a gestão do banco e a dinâmica que levou ao acionamento do FGC. Investigações administrativas e eventuais medidas regulatórias podem ser adotadas pelo Banco Central.
O ressarcimento via FGC deve aliviar parte dos credores, enquanto as apurações buscam esclarecer responsabilidades e o efeito das mudanças regulatórias e das comunicações públicas sobre a liquidez do banco.