Opções para sanar prejuízo do BRB com o Master incluem empréstimo, fundo imobiliário com bens do GDF e aporte dos controladores, decisão depende do Banco Central e da Câmara do DF
O Banco de Brasília, BRB, analisa medidas para cobrir um possível rombo gerado por operações com o Banco Master, incluindo empréstimo e aportes dos controladores.
Entre as alternativas em estudo estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal e a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, além de aportes diretos.
O banco afirma que o plano será encaminhado ao Banco Central para aprovação, e que o caso ainda está sendo apurado, conforme informação divulgada pelo g1
Quanto é o prejuízo, e de onde vem
O BRB aportou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, segundo o apurado.
Fontes ouvidas pela imprensa informam que as estimativas de aporte para cobrir as perdas, em fase de auditoria, superam os R$ 3 bilhões. O valor total ainda está sendo apurado pela instituição.
Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master, uma operação que contou com grande apoio do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.
As medidas em estudo e quem precisa aprovar
O BRB listou, em nota, três alternativas em estudo, que incluem a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte dos controladores.
O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco. Se incluídas no plano de capitalização e chanceladas pelo Banco Central, as medidas também precisariam da aprovação da Câmara Legislativa do DF.
O banco informou que o plano de capitalização ainda está sendo elaborado e será encaminhado ao Banco Central para aprovação, e que o GDF já havia “sinalizado” a possibilidade de um aporte direto, segundo comunicado.
Investigações, afastamentos e operações policiais
Em novembro, uma operação da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido em definitivo em seguida. A ação, batizada de Compliance Zero, também envolveu buscas na sede do banco.
A Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, com foco em possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.
O banco enfatiza, em nota, que permanece sólido, seguro e operando normalmente, e cita textualmente, “Por fim, o Banco reforça que permanece sólido, seguro e operando normalmente”.
Próximos passos e riscos
O BRB tem prazo para apresentar um plano ao Banco Central, e as decisões sobre empréstimos ou aportes dependerão da validação do regulador e da Câmara Legislativa do DF, o que influencia prazos e condições.
Analistas apontam que a combinação entre auditoria em andamento, investigações e a necessidade de capitalização torna essencial definir rapidamente as fontes de recursos, para preservar a liquidez e a confiança no banco.
As alternativas hoje discutidas pelo BRB, e a comunicação diante das apurações, serão determinantes para o desenlace financeiro e político do caso com o Master.