Ameaça de tarifas de 100% por parte de Trump contra o Canadá surge após acordo com a China que prevê elétricos com tarifa de 6,1% e redução na canola
O presidente dos Estados Unidos elevou o tom neste sábado, ao anunciar medidas duras caso Ottawa consolide um acordo comercial com Pequim.
As declarações ocorrem depois da primeira visita de um líder canadense à China em oito anos, e do anúncio de uma parceria estratégica que inclui flexibilização de tarifas sobre canola e carros elétricos.
As informações citadas a seguir foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o presidente americano declarou
Donald Trump publicou em sua plataforma, afirmando que, se o entendimento entre Canadá e China for fechado, haverá retaliação imediata. A mensagem traz a frase, exatamente, “Se Carney ‘pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado’, escreveu Trump.”
Em outra passagem da mesma publicação, ele advertiu, com as palavras exatas, “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, alertou.
Detalhes do acordo entre Ottawa e Pequim
Segundo as informações divulgadas, o primeiro-ministro Mark Carney negociou a redução de tarifas e a abertura do mercado para veículos elétricos chineses.
O Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1%, nos termos de nação-mais-favorecida, disse Carney. Isso se compara à tarifa de 100% sobre os veículos elétricos chineses imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024.
Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá, segundo os dados citados, e a cota deve aumentar gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos, conforme expectativa mencionada por Carney.
Impactos para agricultores, pescadores e indústria
O acordo também busca destravar mercados agrícolas. O Canadá espera que a China reduza as tarifas sobre sementes de canola até 1º de março, para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%.
Além disso, Ottawa espera que as tarifas sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas tenham as medidas antidiscriminatórias removidas a partir de 1º de março até pelo menos o final do ano.
Esses ajustes podem render cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses, segundo o relato das negociações.
Como pano de fundo, a China, em retaliação às tarifas de Trudeau, impôs tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, o que levou a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025.
Reações internas e cenário regional
Nem todos os canadenses apoiam a aproximação com a China. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, criticou a abertura a veículos chineses, dizendo que o governo federal estaria convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos sem garantias de investimento equivalente na cadeia produtiva local.
Nos Estados Unidos, a decisão de Carney suscitou críticas de membros do gabinete de Washington, embora, na semana anterior, o próprio Trump tenha declarado verbalmente que apoiava a assinatura de acordos comerciais, em comentário relatado pela imprensa.
O cenário coloca pressão sobre a revisão do acordo comercial entre EUA, Canadá e México, e gera incertezas sobre futuras retaliações tarifárias, caso os entendimentos entre Ottawa e Pequim avancem.