Tempestade avança da costa da Califórnia e deve trazer sensação térmica de até -40°C, riscos de apagões, danos a árvores e viagens intransitáveis em grande parte do país
Uma megatempestade de inverno se espalha pelo território continental dos Estados Unidos, combinando neve e chuva gelada que podem tornar trechos inteiros quase intransitáveis.
As previsões apontam para temperaturas extremas e um possível “acúmulo catastrófico de gelo“, com impactos severos na rede elétrica, nas estradas e nas áreas urbanas.
Autoridades estaduais e municipais já declararam estados de emergência e mobilizam abrigos e equipes de resposta imediata, conforme informação divulgada pelo g1.
O que dizem as medições e as agências meteorológicas
Na manhã registrada mais fria, a cidade de Rhinelander, no Wisconsin, anotou -38°C, a menor temperatura em quase 30 anos, segundo informações da AP.
O Meio-Oeste teve sensação térmica de até -40°C, condição em que o congelamento da pele pode ocorrer em até 10 minutos, conforme os dados divulgados pelas agências meteorológicas.
O Serviço Nacional de Meteorologia, NWS, alertou para a possibilidade de “acúmulo catastrófico de gelo“, com consequências que incluem “apagões prolongados, danos extensos às árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis“.
Escala do risco e número de pessoas afetadas
Segundo a France Presse, a combinação de neve e chuva gelada pode gerar condições “catastróficas” em áreas onde vivem cerca de 160 milhões de pessoas.
O meteorologista Ryan Maue fez um alerta enfático, ao afirmar que “os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos“, e pediu que as pessoas planejem deslocamentos e verifiquem quem precisa de ajuda adicional para sobreviver à semana.
Em consequência das condições, mais de 10 mil voos do fim de semana já foram cancelados, afetando ligações domésticas e internacionais.
Impactos locais, preparos e abrigo para vulneráveis
Estados que sofreram apagões em tempestades anteriores, como o Texas, disseram estar mais preparados desta vez, segundo declarações oficiais citadas na cobertura.
O governador Greg Abbott afirmou que “não há nenhuma expectativa de que ocorra um corte de energia na rede elétrica”, e que o sistema está preparado para enfrentar a tempestade.
Em Houston, que sofreu com uma tempestade semelhante em fevereiro de 2021, foram abertos 12 abrigos. O prefeito John Withmire declarou que “Haverá uma tempestade muito severa que poucos moradores em Houston já vivenciaram […] Provavelmente 48 horas de temperaturas congelantes”.
O prefeito também explicou que os abrigos estarão disponíveis para pessoas e animais, e que equipes buscam pessoas em situação de rua. Ele enfatizou a política local, ao afirmar, “Todos são bem-vindos em nossos abrigos, não perguntamos o status legal, isso não faz parte do nosso trabalho, somos compassivos”.
Transporte, energia e lições de tempestades anteriores
Autoridades mobilizaram milhares de trabalhadores, máquinas de remoção de neve e equipes de emergência para manter estradas liberadas e restabelecer o fornecimento de energia, conforme relatos das administrações estaduais.
Especialistas recordam que, em 2021, uma tempestade semelhante resultou em mais de 200 mortes relacionadas a hipotermia, intoxicação por monóxido de carbono e acidentes de trânsito, o que motiva preparativos mais intensos por parte das autoridades.
Companhias aéreas e operadores de infraestrutura trabalham em operações de degelo e recuperação, mas as autoridades alertam que as condições podem provocar apagões e atrasos prolongados.
Vórtice polar, clima e incertezas científicas
Pesquisadores apontam aumento no número de eventos com deslocamento do vórtice polar nas últimas duas décadas, um fenômeno possivelmente relacionado ao aquecimento mais rápido do Ártico em relação à média global.
Especialistas pedem cautela para não estabelecer conclusões simplistas sobre a ligação direta entre cada tempestade e a mudança climática de origem humana, embora existam estudos que indiquem maior frequência desses episódios nas últimas décadas.
Em linhas gerais, cientistas e autoridades concordam que a população deve manter planos de emergência, evitar viagens desnecessárias e garantir fontes de aquecimento e alimentação seguras para os próximos dias.
As informações e dados citados nesta reportagem foram compilados a partir das matérias e alertas mencionados anteriormente, conforme informação divulgada pelo g1.