A onda ártica deve provocar dez dias críticos, com mistura de chuva gelada e fortes nevadas, sensação térmica de até -40°C, risco de longos apagões e estradas intransitáveis
A megatempestade de neve e gelo nos EUA avança sobre grande parte do país, com impacto previsto onde vivem cerca de 160 milhões de pessoas.
Nas primeiras horas deste sábado, o Meio-Oeste registrou sensação térmica de até -40°C, o que significa que o congelamento da pele podia ocorrer em até 10 minutos.
Autoridades estaduais e federais declararam emergência e ampliaram abrigos, ao mesmo tempo em que várias companhias aéreas cancelaram milhares de voos, gerando interrupções imediatas na mobilidade diária, conforme informação divulgada pelo g1.
O cenário e os riscos previstos
A previsão meteorológica indica uma combinação perigosa de chuva gelada e fortes nevadas que deve se estender da costa da Califórnia por grande parte do território continental, incluindo as Montanhas Rochosas e as Grandes Planícies.
O Serviço Nacional de Meteorologia alertou para um possível “acúmulo catastrófico de gelo”, e que isso pode resultar em “apagões prolongados, danos extensos às árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis”.
Segundo dados relatados, A temperatura de -38°C registrada em Rhinelander, no estado de Wisconsin, pela manhã, foi a mais baixa em quase 30 anos, indicando a intensidade do frio.
Alertas, cancelamentos e impactos imediatos
Mais de 10 mil voos do fim de semana já foram cancelados, enquanto equipes de degelo e manutenção foram mobilizadas em aeroportos, para tentar reduzir interrupções e manter aeronaves operando quando possível.
Estados e cidades emitiram ordens de emergência e abriram abrigos, inclusive para pessoas em situação de rua e seus animais de estimação, diante da previsão de jornadas consecutivas de frio extremo.
No Texas, autoridades lembraram da calamidade de fevereiro de 2021, quando uma tempestade semelhante provocou mais de 200 mortes por hipotermia, intoxicação por inalação de monóxido de carbono e acidentes.
Recomendações das autoridades e declarações
O governador do Texas, Greg Abbott, disse que “não há nenhuma expectativa de que ocorra um corte de energia na rede elétrica”, e que a rede “é totalmente capaz de lidar com essa tempestade de inverno”.
O meteorologista Ryan Maue alertou que “os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos”, e pediu que a população se prepare para temperaturas inferiores a -18°C.
Em Houston, o prefeito John Withmire afirmou, “Haverá uma tempestade muito severa que poucos moradores em Houston já vivenciaram […] Provavelmente 48 horas de temperaturas congelantes”, e anunciou abertura de abrigos para pessoas e animais de estimação.
O papel do vórtice polar e a ligação com a mudança climática
Pesquisadores destacam que a ocorrência de tempestades como esta vem aumentando nas últimas décadas, e apontam que o aquecimento desigual do Ártico pode favorecer deslocamentos do vórtice polar para latitudes mais baixas.
Especialistas também alertam contra conclusões simplistas, dizendo que a relação direta entre cada evento extremo e a mudança climática de origem humana exige análise cuidadosa.
Enquanto as autoridades tratam a emergência no curto prazo, cientistas e gestores públicos discutem como adaptar infraestrutura e serviços para reduzir vulnerabilidades a eventos que têm se tornado mais frequentes.
Como se proteger durante a megatempestade
Moradores são orientados a evitar viagens não essenciais, estocar suprimentos básicos, verificar aquecimento seguro em casas e buscar abrigos públicos se necessário.
Em casos de uso de geradores, é essencial seguir instruções de segurança para evitar risco de intoxicação por monóxido de carbono, e em viagens, prever rotas alternativas e informar familiares sobre deslocamentos.
Acompanhe atualizações das autoridades locais e do Serviço Nacional de Meteorologia, e procure abrigos se a sua residência ficar sem aquecimento ou energia.