quinta-feira, junho 4, 2026

Chile em Escolha Crucial: Extrema Direita Lidera Pesquisas para Eleição Presidencial com Promessas de Combate ao Crime e Imigração

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Chile decide seu futuro neste domingo com eleição presidencial polarizada onde a extrema direita surge como favorita, focando em segurança e controle migratório.

O Chile se prepara para um momento decisivo em sua democracia neste domingo, com a eleição de seu novo presidente. As pesquisas apontam José Antonio Kast, representante da extrema direita, como o favorito para assumir o cargo, disputando contra Jeanette Jara, candidata de esquerda.

Esta eleição marca um possível retorno a um cenário político onde a direita ganha força, após anos de alternância entre esquerda e direita desde 2010. A principal bandeira de Kast é o combate à criminalidade, com propostas contundentes como a deportação de imigrantes em situação irregular.

Jeanette Jara, por sua vez, representa uma coalizão de centro-esquerda e busca defender um projeto de maior inclusão social. A polarização entre os candidatos reflete as preocupações da sociedade chilena, especialmente em relação à segurança pública, conforme informação divulgada pelo g1.

José Antonio Kast e o Foco na Segurança Pública

José Antonio Kast, líder do Partido Republicano e com 59 anos, tem como plataforma central o combate ao crime, propondo a detenção e expulsão de aproximadamente 340 mil imigrantes sem documentos. Se eleito, Kast se consolidaria como o presidente mais à direita no Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990.

As pesquisas de intenção de voto antecipam uma vitória expressiva de Kast sobre sua adversária, Jeanette Jara. A preocupação com a criminalidade e o aumento da violência é um tema central na campanha, sendo a principal preocupação para 63% dos chilenos, segundo pesquisa do instituto Ipsos divulgada em outubro.

O aumento significativo nos índices de homicídios, que cresceram 140% em uma década, e o expressivo aumento de 76% nos casos de sequestro em 2022, segundo o Ministério Público chileno, criam um cenário de urgência para a população.

Propostas de Kast para as Fronteiras e Combate ao Crime

Diante da demanda popular por soluções rápidas, Kast apresenta um plano ambicioso para conter a imigração irregular, com foco especial nos imigrantes venezuelanos. Sua proposta de “escudo fronteiriço” inclui a construção de um muro na fronteira com a Bolívia, a criação de uma trincheira e a mobilização de 3.000 militares para reforçar o controle.

O candidato de extrema direita, que já defendeu o legado de Pinochet no passado, mas se declara um democrata, promete aumentar o poder de fogo da polícia e enviar militares para áreas consideradas críticas. Especialistas apontam que a forte percepção de insegurança tem sido instrumentalizada pela direita no cenário político eleitoral, como afirma Guillaume Long, especialista do Centro de Estudos Econômicos e Políticos.

Esta é a terceira vez que José Antonio Kast concorre à presidência. Em 2021, ele perdeu o segundo turno para Gabriel Boric, que chegou ao poder com a promessa de reformar a Constituição herdada de Pinochet, buscando maior acesso à saúde e educação. No entanto, as tentativas de reforma constitucional fracassaram, deixando a promessa de uma sociedade mais equitativa pela metade.

Jeanette Jara e a Busca por Segurança Econômica e Social

Jeanette Jara, advogada e administradora pública, busca conquistar eleitores com propostas que vão além da segurança física. Uma de suas principais promessas é o aumento do salário mínimo para quase US$ 800, um incremento significativo em relação ao valor atual.

Jara argumenta que, embora a imigração e o crime sejam temas importantes, existem outras questões cruciais a serem abordadas. Seu plano para a imigração prevê o controle das fronteiras e um censo de imigrantes em situação irregular para identificar e expulsar aqueles com antecedentes criminais. “Não há candidatura mais comprometida que a nossa com a segurança: segurança para combater o crime e para chegar ao fim do mês”, declarou.

Como ministra do Trabalho, Jara impulsionou a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e uma reforma no sistema de aposentadorias, o que fortaleceu sua imagem política. Apesar de ter enfrentado críticas internas no Partido Comunista por suas posições sobre Venezuela, Cuba e Nicarágua, sua longa militância no partido desde os 14 anos pode ter sido um obstáculo para a conquista de apoio mais amplo.

O Fantasma do Anticominismo na Eleição Chilena

A candidatura de Jeanette Jara é marcada pela presença do “fantasma do anticomunismo”, como aponta o analista Alejandro Olivares, da Universidade do Chile. Esse sentimento histórico, segundo ele, “pesou muito para Jara”, dificultando a obtenção de um apoio mais expressivo em um país com uma parcela significativa da população ainda receosa a governos comunistas.

O cenário eleitoral chileno, portanto, apresenta um debate complexo entre a necessidade de segurança pública e o combate à criminalidade, com propostas distintas de cada lado. A escolha dos eleitores neste domingo definirá o futuro do Chile e sua orientação política para os próximos anos.

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