Como as exceções do T-MEC às tarifas de Trump ajudaram o México a crescer nas exportações aos EUA em 2025, e por que a renegociação do acordo será o principal desafio
O México saiu, em 2025, como um dos principais beneficiados da onda de medidas protecionistas iniciadas pelo governo Trump, com aumento real nas vendas ao mercado americano.
Analistas apontam que a combinação entre localização, indústria consolidada e a proteção oferecida pelo T-MEC levou empresas e investidores a optar por cadeia produtiva norte-americana.
Os dados e declarações que embasam esta análise foram compilados e divulgados conforme informação divulgada pelo g1.
Crescimento das exportações mexicanas e a vantagem nos tributos
O salto mexicano nas exportações aos Estados Unidos foi mensurado de forma clara, com um crescimento geral de 5,66% em 2025, segundo números do Departamento de Comércio americano citados pelo g1.
O Modelo de Orçamento Penn Wharton, PWBM, indica que os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6% em outubro de 2025, enquanto o Canadá registrou 3,9% e a China chegou a 37,1% no mesmo período.
Para o restante do mundo, a tarifa efetiva média de importação foi de 10,91% em outubro, contra 2,2% registrados em janeiro de 2025, antes do início do segundo mandato de Donald Trump, segundo o PWBM, o que mostra a diferença de tratamento.
O papel do T-MEC e a mudança de estratégia dos exportadores
Especialistas atribuem parte decisiva da vantagem do México à isenção concedida a produtos que atendem às regras do T-MEC. Como afirmou Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos do centro de estudos Tax Foundation, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.
Antes das medidas, muitos exportadores preferiam pagar tarifas baixas a cumprir formalidades do acordo. Com o aumento das tarifas, a lógica mudou e, segundo York, os percentuais de importações realizadas no âmbito do T-MEC saltaram de 38% para cerca de 86% a 87% para Canadá e México, respectivamente.
O economista Mario Campa, da Universidade Columbia, destaca que, à medida que estoques globais se esgotaram, fornecedores já instalados no México começaram a ganhar mercado nos EUA, consolidando o país como um destino mais competitivo do que rivais distantes.
Setores que perdem e ganhos setoriais
Nem todos os setores mexicanos se beneficiaram de forma igual. A indústria automotiva, por exemplo, cresceu apenas 0,9% em 2025, resultado aquém do esperado, apesar de negociações que limitaram tarifas a componentes automotivos “não fabricados nos Estados Unidos”.
Outros setores importantes, como aço e alumínio, sofreram com tarifas de 25% e registraram queda nas exportações para os EUA, o que mostra que a vantagem mexicana não é homogênea entre todas as cadeias.
O teste decisivo: a renegociação do T-MEC e os riscos para a ponte comercial
O principal desafio que pode reverter o ganho mexicano será a renegociação do T-MEC prevista para este ano. Com estilo imprevisível, Trump declarou, no dia 13 de janeiro, que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”.
Trump também afirmou, durante visita a uma fábrica, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”, e, sobre a indústria automotiva, “Não precisamos de carros fabricados no Canadá. Não precisamos de carros fabricados no México. Queremos fabricá-los aqui”.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reagiu dizendo estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”, lembrando que empresários americanos defendem o tratado pela alta integração industrial entre os países.
Para Campa, os cenários das negociações variam de renovação do acordo como está, até a desintegração do bloco, passando por possibilidades intermediárias que podem premiar ou prejudicar setores específicos.
O risco chegou a um novo patamar com movimentos do Canadá, como contratos com a China, o que, segundo o economista, é um “mau sinal” para a sobrevivência do bloco, e exige que o México acelere planos alternativos para diversificar mercados, como o “Plano México” anunciado pela presidência em 2025.
Em resumo, as tarifas de Trump ajudaram o México a crescer em 2025, com a proteção do T-MEC e realocação de cadeias, mas a continuidade dessa vantagem depende do desfecho das negociações do acordo e de ações para reduzir a dependência dos Estados Unidos.