Análise dos impactos das medidas tarifárias do governo Trump, o papel do T-MEC na evasão de tarifas e os riscos para a relação comercial México-Estados Unidos em 2026
O México saiu como um dos principais beneficiados após o aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025, com ganhos em parte explicados pela migração de fornecedores e pela proteção do acordo regional.
Empresas e investidores passaram a preferir fornecedores no México para reduzir custos e evitar retaliações tarifárias, combinando proximidade geográfica e cadeia produtiva já consolidada.
Os dados oficiais mostram crescimento consistente nas exportações mexicanas ao longo de 2025, e as explicações sobre esse movimento vêm de especialistas e institutos internacionais, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o México ganhou espaço frente às tarifas
Uma das razões centrais foi a isenção parcial para produtos que atendem às regras do T-MEC. Como disse Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos do centro de estudos Tax Foundation, à BBC News Mundo, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.
Com essa vantagem, muitos exportadores passaram a utilizar o T-MEC para evitar tarifas elevadas, tornando o México mais competitivo para compradores nos Estados Unidos.
Números que ilustram o efeito das medidas
Os indicadores destacam mudanças claras, o Modelo de Orçamento Penn Wharton aponta tarifa de importação efetiva de 4,6% para produtos mexicanos em outubro de 2025, contra 3,9% para o Canadá.
O México registrou crescimento de 5,66% nas exportações para os Estados Unidos em 2025, e os dados oficiais mexicanos indicam seis meses de crescimento contínuo após o anúncio das tarifas em abril.
Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1% no ano passado, e a tarifa média para o resto do mundo subiu para 10,91% em outubro, contra 2,2% em janeiro de 2025, segundo o PWBM da Universidade da Pensilvânia.
Setores que avançaram e os que sofreram
Nem todos os ramos se beneficiaram de igual forma, o setor automotivo mexicano cresceu apenas 0,9% em 2025, resultado abaixo do esperado, apesar de negociações específicas sobre componentes.
Aço e alumínio, sujeitos a tarifas de 25%, registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, mostrando que a vitória não foi geral para toda a indústria mexicana.
O teste decisivo em 2026, entre renegociação do T-MEC e incertezas
O maior desafio à frente é a renegociação do T-MEC prevista para 2026, que pode confirmar as vantagens atuais ou reverter ganhos importantes para o México.
Com estilo imprevisível, Donald Trump declarou que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”, e afirmou, em visita a uma fábrica da Ford, “Nem mesmo penso no T-MEC, Quero o bem do Canadá e do México, Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.
Trump também disse, “Não precisamos de carros fabricados no Canadá, Não precisamos de carros fabricados no México, Queremos fabricá-los aqui”. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum reagiu dizendo estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”.
O economista Mario Campa, da Universidade Columbia, alerta que podem surgir cenários que vão da manutenção do acordo até a sua desintegração, e defende que o México prepare alternativas para diversificar seus mercados.
Campa explicou que, no curto prazo, “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.
Possíveis desfechos e o Plano México
Entre os cenários está a renovação do tratado, um acordo intermediário, ou nenhum acordo, cada um com impactos diferentes por setor e por região do México.
Especialistas sugerem que o país precisa avançar em estratégias para reduzir dependência excessiva dos EUA, dando mais visibilidade a planos alternativos, como o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum no início de 2025.
Enquanto a renegociação não se resolve, a dinâmica de 2025 mostra que o T-MEC e a reconfiguração das cadeias globais colocaram o México em posição vantajosa, mas o futuro dependerá de escolhas políticas e do rumo das negociações com os Estados Unidos.