quinta-feira, junho 4, 2026

Por que o México foi o maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC e o nearshoring impulsionaram exportações, e qual é o risco na renegociação do acordo

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Crescimento de 5,66% nas exportações mexicanas para os EUA em 2025, tarifa efetiva de 4,6% segundo PWBM, e o teste decisivo das negociações do T-MEC em 2026

O México conseguiu ampliar suas vendas aos Estados Unidos em 2025, apesar da forte política tarifária do governo Trump, tornando-se um dos “ganhadores inesperados” das novas regras comerciais.

A trajetória foi impulsionada por isenções associadas ao T-MEC, realocação de produção e vantagens logísticas e industriais que atraíram investimentos.

No entanto, a sobrevivência desse ganho depende das negociações do tratado, e do plano de diversificação comercial do México, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o México saiu na frente com as tarifas de Trump

Uma explicação central foi a isenção aplicada a produtos que cumprem as regras do T-MEC. Como destacou Erica York, do centro de estudos Tax Foundation, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.

York acrescentou que “Observamos que as transações realizadas no âmbito do T-MEC dispararam em 2025, devido a essa isenção”. Esse movimento tornou mais vantajoso para exportadores mexicanos seguir as normas do acordo, em vez de pagar tarifas sequer maiores.

Mario Campa, especialista em política econômica, resumiu a lógica de compradores e empresas americanas, “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.

Números e setores, quem ganhou e quem perdeu

Segundo o Modelo de Orçamento Penn Wharton, PWBM, os produtos mexicanos pagaram, em outubro de 2025, uma tarifa de importação efetiva de 4,6%, enquanto o Canadá registrou 3,9%.

O México registrou um aumento geral de 5,66% nas exportações para os Estados Unidos em 2025, com seis meses consecutivos de crescimento após o anúncio de abril, segundo números oficiais mexicanos atualizados até novembro de 2025.

Em contraste, as tarifas foram muito mais elevadas sobre a China, com a PWBM indicando 37,1% de tarifa efetiva em 2025, e a média do resto do mundo passando para 10,91% em outubro, ante 2,2% em janeiro de 2025.

Alguns setores mexicanos sofreram com exceções e tarifas específicas. O setor automotivo teve aumento modesto de 0,9% em 2025, mesmo após negociações que limitaram as tarifas a componentes não fabricados nos Estados Unidos. Já produtos como aço e alumínio, sujeitos a tarifas de 25%, registraram queda nas exportações.

O Canadá, apesar de ter tarifa efetiva menor por produto, viu seu volume de exportações para os EUA cair 6,19% em 2025, segundo o Departamento de Comércio americano, indicando que vantagem tarifária não assegura automaticamente ganho de mercado.

O papel do nearshoring e do estoque prévio de compras

Além do tratamento preferencial pelo T-MEC, a realocação de cadeias produtivas, o chamado nearshoring, e os estoques contratados antes das tarifas ampliaram a fatia mexicana no curto prazo.

Campa explicou que, à medida que estoques pré-contratados se esgotaram, “começaram a se destacar os produtos fabricados no México, que provavelmente está se tornando um parceiro comercial [americano] mais importante do que a China ou o Canadá”.

Essa combinação de proximidade geográfica, infraestrutura industrial e mão de obra qualificada ajudou o México a captar fluxos que antes iam para a Ásia.

O teste decisivo, a renegociação do T-MEC e os riscos

Apesar dos ganhos, o futuro está longe de garantido, porque o T-MEC terá renegociação em 2026, e o clima político nos Estados Unidos é imprevisível.

O próprio presidente americano declarou, em 13 de janeiro, que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”, afirmando, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.

No mesmo discurso, Trump disse, “Não precisamos de carros fabricados no Canadá. Não precisamos de carros fabricados no México. Queremos fabricá-los aqui.” Essas falas alimentaram incertezas sobre a continuidade e o formato do acordo.

Claudia Sheinbaum, presidente do México, reagiu dizendo estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”, lembrando que empresários americanos também defendem o tratado pela ampla integração industrial.

Há cenários variados nas negociações, do mais favorável ao mais danoso. Campa alertou que a negociação pode resultar na manutenção do acordo, em sua desintegração, ou em alternativas intermediárias que beneficiem ou prejudiquem setores distintos.

Além disso, movimentos paralelos, como a aproximação entre Canadá e China, são interpretados como sinais de que parceiros norte-americanos buscam alternativas comerciais, o que pode complicar a defesa do bloco regional durante a renegociação.

Para se proteger de um cenário adverso, Campa sugeriu que o México avance em planos de diversificação, citando o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum no início de 2025, que visa reduzir a dependência excessiva dos Estados Unidos.

Se as negociações do T-MEC confirmarem a proteção atual, o México pode consolidar ganhos, caso contrário, precisará acelerar estratégias de exportação para outros mercados e reforçar políticas industriais.

Em resumo, as tarifas de Trump empurraram fluxos comerciais em direção ao México em 2025, sustentadas pelo T-MEC e pelo nearshoring, mas o verdadeiro teste será o resultado das negociações em 2026, e a capacidade do México de diversificar sua pauta externa.

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