Antecipe os cortes de juros, reorganize sua carteira e saiba por que prefixados e títulos atrelados à inflação podem ganhar espaço, e como montar um mix equilibrado
O mercado trabalha com a expectativa de que o Banco Central comece a promover cortes de juros ainda no primeiro trimestre, criando janela para revisão de carteiras de renda fixa.
Atualmente a taxa Selic está em 15% ao ano, e o Boletim Focus indica projeção de fechamento do ano em 12,25% ao ano, o que representa uma redução esperada pelo mercado.
Entender quais ativos tendem a se valorizar antes e durante o ciclo de cortes pode ajudar a ganhar rendimento sem aumentar risco desnecessário.
conforme informação divulgada pelo g1
Cenário e por que o BC está cauteloso
Parte da cautela do Banco Central vem das incertezas geopolíticas e dos riscos fiscais do governo brasileiro, fatores que pesam na avaliação de risco e na condução dos juros.
Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, afirma, “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”.
Entre os fatores citados estão tensões no Oriente Médio, que elevam preços do petróleo e pressionam a inflação, e dúvidas sobre a condução das contas públicas em ano eleitoral.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos, a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março.
Quais ativos tendem a se beneficiar com os cortes de juros
Especialistas e estudos de mercado apontam que períodos de queda de juros costumam favorecer títulos prefixados e indexados à inflação, os chamados IPCA+.
O estudo da XP aponta que, desde 2005, “o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período”.
O relatório também mostra que, “para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês”.
Para entender, lembre que títulos prefixados têm uma taxa de rendimento definida no momento da aplicação, o que permite ao investidor saber quanto receberá no vencimento do título.
Títulos indexados à inflação são aqueles que rendem a inflação do período acrescida de uma taxa fixa, e podem proteger poder de compra enquanto se beneficiam da queda da Selic.
Como montar e rebalancear a carteira antes dos cortes
Segundo o planejador financeiro Carlos Castro, é crucial definir horizonte de tempo e separar objetivos de curto, médio e longo prazo, para então alinhar perfil de risco e prazos dos investimentos.
Com o horizonte definido, distribua a carteira entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos, e escolha produtos que respeitem a liquidez necessária para cada objetivo.
Rachel de Sá recomenda rebalancear o mix de indexadores, combinando prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados, porque cada indexador tem papel distinto em cenários mais curtos ou mais prolongados de cortes.
O especialista de renda fixa do Inter, Rafael Winalda, alerta sobre a importância do prazo, e lembra que marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia, esse valor é atualizado diariamente.
Winalda diz, “O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos … sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”.
Precauções práticas e separação da reserva de emergência
Separe a reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores, invista em títulos longos apenas com recursos que comprovadamente não serão necessários no curto ou médio prazo, e diversifique os vencimentos, evitando concentração excessiva em um único prazo ou estratégia.
Além disso, mantenha uma parcela em investimentos pós-fixados referenciados ao CDI para preservar liquidez e reduzir volatilidade caso o ciclo de cortes seja menor do que o mercado espera.
Em resumo, aproveitar a janela dos cortes de juros exige combinação de planejamento de prazo, diversificação de indexadores e atenção à liquidez, assim você melhora o equilíbrio da carteira sem comprometer objetivos financeiros.