quinta-feira, junho 4, 2026

Como se antecipar aos cortes de juros e preparar sua carteira, com Selic prevista em 12,25%, veja por que prefixados e IPCA+ podem render mais neste ciclo

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Antecipe os cortes de juros, entenda como a Selic em queda altera preços de títulos, e saiba montar uma carteira com prefixados, ativos atrelados à inflação e pós-fixados

O cenário para investidores mudou com a expectativa de que o Banco Central do Brasil comece a reduzir a taxa básica ainda no primeiro trimestre, abrindo janelas para quem quer revisar posições em renda fixa.

Neste momento, é importante alinhar horizontes de prazo, evitar vender títulos longos por necessidade e diversificar indexadores, para equilibrar risco e retorno.

Nas próximas seções explico quais ativos tendem a se valorizar, o que diz o mercado sobre a magnitude dos cortes, e como montar uma carteira prática antes do movimento, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o Banco Central adota postura cautelosa

O Comitê de Política Monetária tem mostrado cuidado, por conta de fatores externos e riscos domésticos que podem influenciar a inflação e a percepção de risco, o que explica a demora em reduzir a taxa, mesmo com o ciclo de afrouxamento esperado.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos, a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Copom ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março.

Especialistas lembram que tensões no Oriente Médio podem elevar o preço do petróleo, pressionando a inflação, e que incertezas sobre gastos públicos em ano eleitoral também ficam no radar do BC.

O que o mercado projeta para a Selic

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e o Boletim Focus traz a projeção de que a estimativa é que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar.

Mesmo que o corte inicial seja cauteloso, esse movimento altera preços de títulos e cria oportunidades, sobretudo para investidores que já se posicionam antes do começo do ciclo.

Quais ativos costumam se beneficiar quando os juros caem

Um estudo da XP Investimentos, citado pelo g1, mostra que títulos prefixados e os indexados à inflação (IPCA+) tendem a entregar desempenho superior ao CDI nos meses que antecedem e no primeiro ano após o início do ciclo de cortes.

O relatório aponta que, historicamente, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.

Além disso, o estudo indica que para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês, considerando indicadores como o IMA-B 5 e o IRF-M.

Como preparar e rebalancear sua carteira na prática

O primeiro passo é definir horizonte e objetivos, separando curto, médio e longo prazo, e alocar recursos conforme perfil de risco, esse é o conselho do planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar.

Combine ativos prefixados, IPCA+ e pós-fixados para diversificar indexadores, lembrando que o CDI ainda tem papel importante se o ciclo de cortes for menor, pois traz menor volatilidade.

Evite aplicar em títulos longos com recursos que possam ser necessários no curto prazo, pois a marcação a mercado pode gerar prejuízos se for preciso vender antes do vencimento, alerta Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter.

Separe uma reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores, invista em títulos de prazo mais longo apenas com recursos que comprovadamente não serão necessários, e diversifique vencimentos para reduzir risco de concentração.

Resumo prático para o investidor

Se o objetivo é se antecipar aos cortes de juros, considere rebalancear o mix de indexadores, alocando parte da renda fixa em prefixados e IPCA+ com prazos compatíveis ao seu horizonte, mantenha parcela em produtos pós-fixados para liquidez, e preserve uma reserva de emergência líquida.

Monitore o calendário do Copom, mantenha disciplina sobre prazos e use a diversificação para equilibrar volatilidade e potencial de ganho enquanto o ciclo de cortes se desenrola.

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