quinta-feira, junho 4, 2026

Como antecipar os cortes de juros e reestruturar sua carteira, entenda por que títulos prefixados e atrelados à inflação podem se valorizar com a queda da Selic

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Antecipe os cortes de juros, reorganize investimentos entre prefixados, títulos atrelados à inflação e pós-fixados, e proteja seu patrimônio enquanto a Selic tende a recuar

A expectativa de que o Banco Central do Brasil (BC) deve começar a cortar juros ainda no primeiro trimestre deste ano abre uma nova janela de oportunidade para que os investidores revisem suas carteiras de renda fixa.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e o mercado projeta redução ao longo do ano. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada 10 bancos estimando uma redução apenas em março.

Nesta reportagem explicamos que ativos favorecem ciclos de queda de juros, como combinar indexadores e quais cuidados tomar com prazos e liquidez, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que os cortes de juros favorecem prefixados e títulos atrelados à inflação

Períodos de queda de juros costumam abrir espaço para que títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+) se valorizem, porque as taxas contratadas antes da queda ficam mais atrativas frente ao novo patamar de juros.

Um estudo da XP, compartilhado com o g1, mostra que, ao analisar ciclos de queda desde 2005, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.

O relatório também aponta que para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês, o que explica a preferência de parte dos investidores por esses indexadores antes e no início do ciclo de cortes.

Como rebalancear a carteira e combinar indexadores

Especialistas recomendam ajustar o mix de indexadores, sem abandonar posições que protejam a liquidez. A estratégia indicada é combinar prefixados, IPCA+ e pós-fixados para equilibrar retorno e volatilidade.

A estrategista de investimentos da XP, Rachel de Sá, explica que “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”. Entre os riscos citados estão tensões geopolíticas e dúvidas sobre a condução fiscal no Brasil.

Rachel de Sá ressalta ainda que “Isso não significa que o investidor precisa sair do CDI, que é um investimento que também tem o seu papel caso o ciclo de cortes seja menor e traz um pouco menos de volatilidade, O importante é entender que a diversificação de indexadores vai trazer um equilíbrio maior para a carteira”. Em outras palavras, não troque liquidez por renda futura sem avaliar o cenário e o horizonte.

Horizonte, marcação a mercado e reserva de emergência

Definir prazos é fundamental para evitar vender ativos com prejuízo. “O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos (como IPCA+ 2035 ou 2045) sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”, explica Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter.

Além disso, marque sempre atenção à marcação a mercado, porque “Marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia”. Esse mecanismo pode ampliar a volatilidade no curto prazo, mesmo para papéis que tendem a se valorizar com a queda dos juros.

O planejador financeiro Carlos Castro orienta três passos práticos para organizar a carteira, começando por: defina um horizonte de tempo e separe os objetivos de curto, médio e longo prazo, para entender se a carteira deve ter perfil conservador, moderado ou agressivo; com base no perfil de risco, defina a divisão entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos; depois escolha quais produtos financeiros irão compor cada classe de ativos.

Na prática, mantenha uma reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores, aplique em títulos longos apenas recursos que não serão necessários no curto ou médio prazo, e diversifique vencimentos para reduzir o risco de concentração.

O que acompanhar nas próximas decisões do BC

Mesmo com expectativa de cortes, o Banco Central segue cauteloso por causa de fatores externos, como tensões no Oriente Médio e decisões sobre liderança do Federal Reserve, e por fatores internos, como riscos fiscais diante do ano eleitoral.

O mercado projeta que a estimativa é que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar, e essa trajetória deve orientar movimentos táticos, como a compra de títulos prefixados e IPCA+ antes da queda mais acentuada.

Em suma, antecipar os cortes de juros passa por identificar oportunidades em prefixados e indexados à inflação, equilibrar liquidez e horizonte, e manter diversificação entre indexadores, sempre considerando sua tolerância a risco e necessidade de caixa.

Informações e dados citados nesta matéria foram obtidos conforme informação divulgada pelo g1 e relatórios de mercado consultados pela equipe.

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