Com avanço das incertezas globais, políticas comerciais de Donald Trump e aquisições contínuas da China, o preço do ouro sobe a níveis inéditos nos mercados internacionais
O metal precioso atingiu novos patamares nesta segunda-feira, com os mercados reagindo a um aumento de incertezas geopolíticas e sinais de procura por ativos considerados seguros.
Operações de investidores individuais, compras de bancos centrais e movimentos em políticas comerciais contribuíram para a valorização acelerada do metal.
Os dados e declarações usadas nesta reportagem foram compilados, conforme informação divulgada pelo g1.
Recorde e números do mercado
O ouro à vista avançava 2,2%, para US$ 5.089,78 por onça, após ter atingido mais cedo o pico histórico de US$ 5.110,50, segundo as cotações divulgadas nesta segunda-feira.
Já os contratos futuros do metal nos Estados Unidos, com vencimento em fevereiro, registravam alta similar, para US$ 5.086,30 por onça.
O metal acumula valorização de 64% em 2025, o maior ganho anual desde 1979, impulsionado pela busca por ativos seguros, por uma política monetária mais flexível nos Estados Unidos, e por compras consistentes dos bancos centrais.
Fatores que impulsionam o movimento
Analistas apontam para uma combinação de fatores, entre eles, receios sobre decisões de governos que abalam a confiança em ativos tradicionais e a continuidade de forte demanda física.
Em comentário reproduzido pelo mercado, Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com, afirmou que a principal razão recente por trás da disparada foi “uma crise de confiança na administração e nos ativos dos Estados Unidos, provocada por decisões erráticas do governo Trump na semana passada”.
Além disso, houve relato de aquisições consecutivas pelo banco central chinês, com destaque para o décimo quarto mês seguido de aquisições pela China em dezembro, o que pressiona pela alta do preço do ouro.
Impactos em outros metais e perspectivas
A valorização do ouro veio acompanhada por ganhos em outros metais preciosos, em reação à mesma busca por proteção por parte de investidores.
A prata à vista subia 4,8%, para US$ 107,903, após atingir o recorde de US$ 109,44, enquanto a platina avançava 3,4%, para US$ 2.861,91 por onça, depois de alcançar US$ 2.891,6 no início da sessão.
O paládio se valorizava 2,5%, para US$ 2.060,70, após atingir o maior nível em mais de três anos, e a prata havia ultrapassado a marca de US$ 100 pela primeira vez na sexta-feira, ampliando a alta de 147% registrada no ano anterior.
O que investidores e mercados podem esperar
Especialistas projetam que o preço do ouro pode se aproximar de US$ 6.000 ainda este ano, caso as tensões globais se agravem e a forte demanda de bancos centrais e investidores individuais continue.
Investidores que buscam proteção tendem a alocar mais recursos em ouro e fundos negociados em bolsa que replicam o metal, ação que tem contribuído para aportes recordes nesses produtos.
O cenário, no entanto, permanece sensível a decisões políticas, movimentos cambiais e ao comportamento de grandes compradores institucionais, o que pode impor volatilidade às cotações no curto prazo.