Lula conversa com Trump em ligação de 50 minutos, trocaram impressões sobre a Venezuela, combinaram encontro em Washington e debateram convite ao novo Conselho da Paz
Em uma conversa telefônica realizada nesta segunda-feira, os presidentes abordaram a crise na Venezuela e acertaram uma visita do chefe do Executivo brasileiro a Washington nos próximos meses.
O diálogo incluiu trocas sobre estabilidade regional, questões humanitárias e mecanismos multilaterais, com ênfase na necessidade de preservar a paz e trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.
A conversa durou 50 minutos, de acordo com o Planalto. As informações sobre o teor da ligação e os temas tratados foram divulgadas oficialmente, conforme informação divulgada pelo g1
Conselho da Paz, condições brasileiras e dúvidas técnicas
Durante a ligação, o presidente recebeu o convite para integrar o Conselho da Paz apresentado pelos Estados Unidos, mas não confirmou adesão imediata. Lula propôs que o órgão fique restrito à pauta humanitária, inclua a situação da Faixa de Gaza, e preveja um assento para a Palestina nos debates.
Fontes da diplomacia ouvidas pela TV Globo indicam que o Brasil não tem pressa para responder ao convite. A expectativa é de que, em vez de uma resposta direta, o governo solicite esclarecimentos técnicos sobre possíveis brechas jurídicas do estatuto apresentado por Washington.
Segundo interlocutores, há preocupação com um conselho que nasça com presidência fixa dos EUA e apoio explícito apenas de um lado do conflito, o que motivou pedidos de precisão sobre governança e critérios de atuação.
Posicionamento de Lula sobre a ação militar e reforma da ONU
Lula voltou a criticar a intervenção na Venezuela, em declarações públicas anteriores classificando o episódio como “falta de respeito”. O presidente também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político, e declarou que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com prevalência da lei do mais forte.
O episódio internacional reforça a intenção do governo brasileiro de cobrar uma reforma ampla do Conselho de Segurança da ONU, pleito que Lula leva desde o primeiro mandato em 2002 e que voltou a ser ressaltado na conversa com o presidente dos EUA.
Cooperação econômica e segurança financeira
No diálogo, os dois líderes também trataram da economia, e avaliaram que há boas perspectivas para Brasil e Estados Unidos, que beneficiariam a região das Américas como um todo, segundo o relato do Planalto.
O Palácio do Planalto informou que houve reconhecimento do avanço nas relações comerciais, com retirada de parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Lula manifestou interesse em ampliar parceria com os EUA em áreas como repressão à lavagem de dinheiro, combate ao tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras.
Próximos passos e expectativas diplomáticas
Apesar do agendamento da visita a Washington, não houve confirmação sobre participação do presidente brasileiro em reuniões específicas do novo conselho proposto pelos EUA. A avaliação do Itamaraty é de cautela, e o governo deve priorizar pedidos de esclarecimentos técnicos antes de qualquer adesão.
O encontro bilateral reforça canais abertos entre Brasília e Washington e abre espaço para negociações sobre temas multilaterais e de segurança, ao mesmo tempo em que mantém o tom crítico do Brasil sobre intervenções militares na América Latina.