quinta-feira, junho 4, 2026

Lula conversa com Trump por telefone sobre crise na Venezuela, combinam visita a Washington, avaliam Conselho da Paz e pedem reforma do Conselho de Segurança da ONU

Share

Em ligação de 50 minutos, Lula conversa com Trump sobre a situação na Venezuela, convite para o Conselho da Paz, cooperação econômica e segurança, sem confirmação de adesão

A conversa entre os dois presidentes ocorreu por telefone nesta segunda-feira, e tratou de temas políticos, humanitários e comerciais que hoje dominam a agenda hemisférica.

Foi combinada uma visita do presidente brasileiro a Washington nos próximos meses, e também houve troca de impressões sobre a crise venezuelana e propostas de cooperação bilateral.

Conforme informação divulgada pelo g1, a ligação teve desdobramentos sobre o convite do novo Conselho da Paz, preocupações sobre a legalidade de iniciativas internacionais e propostas de ampliação da atuação conjunta em segurança financeira.

Detalhes da conversa e posicionamentos sobre a Venezuela

Segundo o comunicado do governo brasileiro, “No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, trecho que reflete ênfase oficial nos aspectos humanitários.

O texto divulgado também destaca que esta foi a primeira conversa entre os dois desde um ataque que, conforme a matéria, resultou na retirada do poder de Nicolás Maduro, e que o dirigente está detido em território americano desde o ataque.

Em pronunciamentos públicos anteriores, o presidente brasileiro já havia criticado a ação militar, quando, na sexta-feira, chamou o episódio de “falta de respeito” e afirmou que a América Latina “não vai abaixar a cabeça para ninguém”. Ele declarou ainda que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a “Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada””, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.

A conversa, “conversa durou 50 minutos, de acordo com o Planalto.”, coroou um intercâmbio amplo entre os dois chefes de Estado, que incluiu diálogo sobre encaminhamentos diplomáticos e humanitários.

Conselho da Paz, dúvidas e proposta brasileira

O convite do presidente americano para que o Brasil integre o chamado Conselho da Paz esteve entre os temas. Lula, porém, não confirmou se aceitará fazer parte da iniciativa.

Ao comentar a proposta, o presidente brasileiro “propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão humanitária e a situação da Faixa de Gaza, e preveja um assento para a Palestina nos debates”. Essa posição sinaliza cautela do Brasil sobre estruturas multilaterais que nasçam com estatutos definidos unilateralmente.

Fontes diplomáticas consultadas pela reportagem disseram que o Brasil deve pedir esclarecimentos técnicos antes de dar uma resposta, e que há ressalvas em relação a um conselho que nasça com a presidência fixa dos EUA e apoio explícito de apenas um dos lados do conflito.

Economia, segurança e cooperação prática

Além das questões regionais, Lula e Trump trocaram informações sobre a situação econômica dos dois países e avaliaram que há boas perspectivas para Brasil e Estados Unidos. Trump afirmou que o crescimento de Brasil e Estados Unidos é positivo para a região das Américas como um todo.

O Planalto também relatou que os presidentes destacaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou na retirada de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Esse tema aparece como parte do esforço para fortalecer laços comerciais.

Na área de segurança, Lula manifestou interesse em ampliar parceria com os EUA em repressão à lavagem de dinheiro, combate ao tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras, iniciativa que, segundo o governo, foi bem recebida por Trump.

Próximos passos e agenda bilateral

Foi combinada uma visita do presidente brasileiro a Washington nos próximos meses, sem data confirmada. O governo brasileiro, de acordo com a reportagem, não tem pressa para responder ao convite relativo ao Conselho da Paz e deve priorizar pedidos de esclarecimentos técnicos sobre o estatuto apresentado pelos EUA.

O diálogo entre os dois líderes pode abrir espaço para alinhamentos práticos em segurança e economia, mas também mantêm tensões sobre princípios da ordem internacional, com o Brasil reiterando a defesa de reformas na ONU e de soluções multilaterais para crises regionais.

Leia Mais

Fique por dentro