IPCA-15 registra alta de 0,20% em janeiro, ligeiramente abaixo das projeções, e marca 4,50% em 12 meses, permanecendo dentro do intervalo de tolerância, entenda os impactos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, subiu 0,20% em janeiro, iniciando 2026 com variação de 4,50% nos últimos 12 meses. O resultado ficou ligeiramente abaixo das projeções, e mostra movimento misto entre grupos de gasto.
Entre os nove grupos pesquisados, Saúde e cuidados pessoais e Comunicação puxaram as altas do mês, enquanto Habitação e Transportes tiveram quedas. A leitura dá sinais de desaceleração, mas mantém inflação anual acima da meta.
Os dados e os comentários a seguir foram divulgados pelo IBGE, conforme informação divulgada pelo g1
Principais números e comparação com expectativas
O IPCA-15 registrou 0,20% em janeiro, versus 0,25% em dezembro, ficando 0,05 ponto percentual (p.p.) abaixo do registrado em dezembro. A expectativa era de alta de 0,22% no mês e de 4,52% em 12 meses.
O acumulado em 12 meses ficou em 4,50%, acima da meta do Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%.
Grupos que subiram e caíram em janeiro
Dos nove grupos pesquisados, tiveram queda Habitação com −0,26% e Transportes com −0,13%. Em alta, destaque para Saúde e cuidados pessoais com 0,81% e Comunicação com 0,73%.
As variações completas dos grupos em janeiro foram, conforme o IBGE, Alimentação e bebidas: 0,31%, Habitação: -0,26%, Artigos de residência: 0,43%, Vestuário: 0,28%, Transportes: -0,13%, Saúde e cuidados pessoais: 0,81%, Despesas pessoais: 0,28%, Educação: 0,05%, Comunicação: 0,73%.
O que mais influenciou a prévia da inflação
O maior impacto individual em janeiro veio de Saúde e cuidados pessoais, com 0,11 ponto percentual, puxado por produtos de higiene pessoal, alta de 1,38%, e por plano de saúde, com alta de 0,49%.
No grupo Alimentação e bebidas, que tem maior peso, a variação foi de 0,31%. A alimentação no domicílio subiu 0,21%, com altas expressivas em tomate, 16,28%, batata‑inglesa, 12,74%, frutas, 1,65%, e carnes, 1,32%.
Entre quedas relevantes, destaque para leite longa vida, -7,93%, arroz, -2,02%, e café moído, -1,22%. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56%.
Nos combustíveis houve avanço de 1,25%, puxado por etanol, 3,59%, gasolina, 1,01%, gás veicular, 0,11%, e óleo diesel, 0,03%.
Transportes, tarifas e energia
O recuo em Transportes foi influenciado pela queda das passagens aéreas, -8,92%, e do ônibus urbano, -2,79%. A tarifa zero em domingos e feriados em Belo Horizonte reduziu o transporte coletivo, com queda de 18,26% nesse município.
No metrô houve variação de 2,52%, puxada pelo reajuste em São Paulo, enquanto a energia elétrica residencial caiu 2,91%, contribuindo para a queda de 0,26% em Habitação, e gerando o maior impacto negativo do mês, -0,12 p.p.
Leitura dos economistas e implicações para a política monetária
Na avaliação do economista Maykon Douglas, “A média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, voltando ao intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central.” Segundo ele, a inflação continua arrefecendo e apresenta um perfil mais favorável, apesar de serviços intensivos em trabalho acelerarem.
Gustavo Sung, economista‑chefe da Suno Research, observa que, em 12 meses, as métricas mostram desaceleração, e alerta para serviços intensivos em mão de obra, “Eles seguem refletindo o dinamismo persistente do mercado de trabalho e constituem um dos principais focos de atenção para a condução da política monetária.”
Sung também afirma que, apesar da leve piora no curto prazo, “Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda nos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção, tanto no setor agrícola quanto no industrial.”
Em síntese, o IPCA-15 mostra inflação anual ainda acima da meta, com sinais de desinflação em curso, e reforça a atenção do Banco Central sobre o comportamento dos serviços e do mercado de trabalho.