quinta-feira, junho 4, 2026

IPCA-15 em janeiro de 2026: prévia sobe 0,20%, acumula 4,50% em 12 meses e revela alta em Saúde, Comunicação e alimentos, pese a recuo em Habitação

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Preços avançaram 0,20% em janeiro, IPCA-15 acumula 4,50% em 12 meses, Habitação e Transportes caem, e Saúde e cuidados pessoais lideram alta, segundo IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, subiu 0,20% em janeiro, marcando o início de 2026 com avanço sobre o mês anterior.

No acumulado dos últimos 12 meses, a prévia da inflação chegou a 4,50%, acima da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional, mas ainda dentro do intervalo de tolerância.

O resultado ficou 0,05 ponto percentual abaixo de dezembro, e levemente abaixo das expectativas do mercado, conforme informação divulgada pelo g1.

Resultado por grupos e principais números

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, houve quedas em Habitação, com -0,26%, e em Transportes, com -0,13%, enquanto Saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação, de 0,81%.

Outros grupos registraram: Alimentação e bebidas 0,31%, Artigos de residência 0,43%, Vestuário 0,28%, Despesas pessoais 0,28%, Educação 0,05% e Comunicação 0,73%.

O IPCA-15 de janeiro veio 0,05 ponto percentual abaixo do registrado em dezembro, quando o índice avançou 0,25%, e também ficou abaixo da expectativa dos economistas, que projetavam alta de 0,22% para o mês e 4,52% nos últimos 12 meses.

O que puxou a alta em janeiro

O grupo Saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto no índice, com 0,11 ponto percentual, e variação de 0,81% no mês.

Entre os destaques, produtos de higiene pessoal subiram 1,38%, com impacto de 0,05 p.p., e plano de saúde avançou 0,49%, com impacto de 0,02 p.p.

Comunicação registrou variação de 0,73%, puxada pelos aparelhos telefônicos, que subiram 2,57% em janeiro. Artigos de residência avançaram 0,43%, influenciados pelo aumento de 1,79% em itens de TV, som e informática.

Alimentação e combustíveis

O grupo Alimentação e bebidas, que tem maior peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio subiu 0,21%, interrompendo sete meses consecutivos de queda.

Entre os alimentos que mais subiram, destacam-se tomate, 16,28%, batata-inglesa, 12,74%, frutas, 1,65%, e carnes, 1,32%. Entre os que caíram, leite longa vida registrou -7,93%, arroz -2,02% e café moído -1,22%.

A alimentação fora do domicílio aumentou 0,56%, com lanches subindo 0,77% e refeições 0,44%. Os combustíveis avançaram 1,25%, com etanol 3,59%, gasolina 1,01%, gás veicular 0,11% e óleo diesel 0,03%.

Transportes e efeitos locais

O grupo Transportes recuou 0,13% em janeiro, pressionado principalmente pela queda das passagens aéreas, -8,92%, e do ônibus urbano, -2,79%.

A implementação da tarifa zero aos domingos e feriados em Belo Horizonte provocou queda de 18,26% no transporte coletivo local, e reajustes tarifários em várias cidades também influenciaram o resultado agregado.

Nos ônibus urbanos, entre os reajustes observados estiveram Fortaleza, alta de 5,90% (impacto de 20,00%), Rio de Janeiro, alta de 2,13% (impacto de 6,38%), Salvador, alta de 1,15% (impacto de 5,36%), e São Paulo, alta de 4,58% (impacto de 6,00%), considerando gratuidades aos domingos e feriados.

No metrô a variação foi de 2,52%, puxada pelo reajuste de 3,85% em São Paulo, e no trem em São Paulo a variação foi 2,43%. A integração do transporte público em São Paulo caiu 0,94%.

O subitem táxi avançou 0,42%, puxado pelo reajuste de 4,92% no Rio de Janeiro, que teve impacto de 1,94% no grupo.

Análise de economistas

Segundo o economista Maykon Douglas, “A média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, voltando ao intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central.”

Para Douglas, os resultados indicam que a política monetária permanece no caminho certo, e ele avalia que o Banco Central “não cortará os juros na reunião desta semana, mas, sim, em março”.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, observa que, em variações em 12 meses, as métricas mostram desaceleração, e que, apesar da piora marginal no curto prazo, a tendência anual é favorável.

Sung ressalta que “Eles seguem refletindo o dinamismo persistente do mercado de trabalho e constituem um dos principais focos de atenção para a condução da política monetária.” Ele acrescenta que “Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda nos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção, tanto no setor agrícola quanto no industrial.”

O conjunto dos dados indica sinais mistos, com inflação em processo de desinflação no horizonte anual, mas com pontos de pressão em serviços intensivos em mão de obra e em itens alimentares sensíveis a safras e sazonalidade.

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