quinta-feira, junho 4, 2026

Dívidas com garantia da União somam R$ 336,65 bilhões nos últimos quatro meses de 2025, impacto do empréstimo dos Correios e concentração em bancos e multilaterais

Share

Relatório do Tesouro Nacional aponta R$ 153,33 bilhões em operações internas e R$ 183,32 bilhões em externas, com concentração entre bancos federais e organismos multilaterais

O saldo devedor de garantias concedidas pela União em operações de crédito atingiu R$ 336,65 bilhões ao final dos quatro últimos meses de 2025, segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional.

A alta no montante foi influenciada por um empréstimo bilionário contratado pelos Correios em dezembro, que levou parte do valor diretamente para o saldo de garantias da União.

O documento detalha a composição entre operações internas e externas, e mostra também quem são os entes e credores com maior participação nesses passivos.

conforme informação divulgada pelo g1

Saldo total e composição por origem

Do total de R$ 336,65 bilhões, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, representando 45,5% do montante, enquanto R$ 183,32 bilhões referem-se a operações de crédito externas, equivalentes a 54,5% do total.

As operações de crédito internas envolvem instituições financeiras nacionais, incluindo bancos federais, bancos estaduais e credores privados, já as operações de crédito externas são compostas por recursos de organismos multilaterais e agências governamentais internacionais.

Credores, concentração e participação por entes

Entre os credores, os bancos federais, Banco do Brasil, BNDES, Caixa e BNB, concentram 93,5% das operações de crédito internas, o equivalente a R$ 143,33 bilhões.

Nos recursos externos, os organismos multilaterais, como BIRD, BID, CAF e NDB, respondem por 95,4% do total, ou R$ 174,94 bilhões.

Quanto às partes devedoras, os estados detêm a maior parcela, com 68,8% do saldo devedor, o que corresponde a R$ 230,99 bilhões, seguidos pelos municípios, com 17,5% ou R$ 59,02 bilhões, e pelos bancos federais, com 7,2% ou R$ 24,34 bilhões.

Entre os entes federativos, o estado de São Paulo apresenta o maior saldo, com 11,3% do total, R$ 38,05 bilhões, seguido pelo estado do Rio de Janeiro, com 8,3% ou R$ 28,04 bilhões.

Estatais e o efeito do empréstimo dos Correios

As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões, seguida pela Eletronuclear, com 0,8% ou R$ 2,68 bilhões, e pela Eletrobrás, com 0,1% ou R$ 197,39 milhões.

Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso dos Correios, o Tesouro aprovou um contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para a estatal, com financiamento firmado com um consórcio de bancos formado pelo Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal.

Desse valor, R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos e, por isso, passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União do período.

Honra de garantias, municípios contemplados e histórico

O Tesouro informou que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e do Rio Grande do Norte em 2025.

Entre os municípios contemplados estão Taubaté, em São Paulo, São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, Sobral, no Ceará, Parauapebas, no Pará, Iguatu, no Ceará, Santanópolis, na Bahia, Porto Nacional e Paranã, ambos no Tocantins.

No total, desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões em garantias honradas, segundo o relatório, um dado que ilustra o histórico de acionamento das garantias federais em anos recentes.

O relatório do Tesouro e os números apresentados mostram como as dívidas com garantia da União se distribuem por origem, por credores e por devedores, e como eventos pontuais, como o empréstimo dos Correios, podem alterar de forma significativa o saldo de garantias.

Leia Mais

Fique por dentro