Relatório do Tesouro aponta que o saldo de dívidas com garantia da União chegou a R$ 336,65 bilhões, com predominância de operações externas e forte concentração em bancos federais e estados
O Tesouro Nacional informou que o saldo devedor de dívidas com garantia da União em operações de crédito alcançou R$ 336,65 bilhões ao final dos quatro últimos meses de 2025.
O montante foi puxado, em parte, por um empréstimo contratado pelos Correios, e reflete a distribuição entre operações internas e externas e a concentração entre credores e entes federativos.
Os dados constam do relatório do Tesouro, conforme informação divulgada pelo g1.
Composição por origem, bancos e organismos
Do total de R$ 336,65 bilhões, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, representando 45,5%, enquanto R$ 183,32 bilhões referem-se a operações de crédito externas, equivalentes a 54,5% do montante.
Entre os credores das operações internas, os bancos federais, Banco do Brasil, BNDES, Caixa e BNB, concentram 93,5% (R$ 143,33 bilhões) dessas operações. Entre as externas, os organismos multilaterais, incluindo BIRD, BID, CAF e NDB, respondem por 95,4% (R$ 174,94 bilhões).
Quem são os devedores e onde está a maior parte
Os estados detêm a maior participação no saldo devedor total, com 68,8%, o que corresponde a R$ 230,99 bilhões. Em seguida surgem os municípios, com 17,5% (R$ 59,02 bilhões), e os bancos federais, com 7,2% (R$ 24,34 bilhões).
Entre os entes federativos, o estado de São Paulo apresenta o maior saldo devedor, representando 11,3% do total (R$ 38,05 bilhões), seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,3% (R$ 28,04 bilhões).
Estatais, o caso dos Correios e honras de garantia
As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões. Aparecem também a Eletronuclear, com 0,8% (R$ 2,68 bilhões), e a Eletrobrás, com 0,1% (R$ 197,39 milhões).
Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso dos Correios, o Tesouro assinou um contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para a estatal. Desse valor, R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos e passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União no período.
O Tesouro informou, ainda, que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e do Rio Grande do Norte em 2025, e de municípios listados no relatório.
Significado fiscal e riscos
A inclusão de grandes operações, como a garantia aos Correios, aumenta a exposição fiscal da União a riscos de crédito de estados, municípios e estatais, e ressalta a concentração das garantias em poucos credores e entes.
Desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões para honrar garantias, número que ilustra o peso dessas operações no balanço público e a necessidade de monitoramento das dívidas com garantia da União.