Operação Compliance Zero atinge o Banco Master e aliados próximos de Daniel Vorcaro, com buscas, prisões e indícios de transações que geraram prejuízos bilionários ao BRB
A Polícia Federal ampliou recentemente o cerco sobre executivos e empresários ligados ao Banco Master, numa investigação que atravessa o mercado financeiro e o ambiente empresarial.
O caso começou a ganhar força após a primeira fase da Operação Compliance Zero, e desde então novas diligências e prisões pontuais trouxeram à tona relações complexas entre o grupo investigado e instituições financeiras.
As apurações mencionam operações com impacto bilionário e investigam se houve venda de carteiras de crédito com indícios de irregularidade, conforme informação divulgada pelo g1
Quem é o centro da investigação
O principal alvo é Daniel Vorcaro, 42 anos, controlador do Banco Master, apontado pela Polícia Federal como líder de organização criminosa que teria agido contra o Sistema Financeiro Nacional.
Vorcaro foi preso em 18 de novembro ao embarcar para Dubai, e depois libertado por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, passando a responder às investigações com tornozeleira eletrônica.
A PF atribui ao grupo liderado por Vorcaro a articulação da suposta venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília, em 2025, transação que teria deixado um prejuízo de R$ 12,2 bilhões ao BRB.
Durante a primeira fase da operação, a Polícia Federal apreendeu um patrimônio avaliado em R$ 230 milhões, entre obras de arte, joias e dinheiro em espécie, segundo relatos publicados.
Sobre as acusações, a defesa de Vorcaro afirmou, em nota, que “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue colaborando integralmente com as autoridades e acredita que a análise completa dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”.
Pastor e empresários próximos
Outra figura alcançada pela investigação é Fabiano Campos Zettel, 50 anos, pastor e empresário, cunhado de Vorcaro. Zettel foi preso em 14 de janeiro no Aeroporto de Guarulhos prestes a embarcar para os Emirados Árabes Unidos e liberado no mesmo dia.
A decisão que autorizou a prisão, assinada pelo ministro do STF Dias Toffoli, mencionou, segundo os autos, que “a prática criminosa do investigado envolve diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”.
Zettel, fundador da Moriah Asset e ligado ao setor de saúde e bem-estar, disse por meio de assessoria que está “à inteira disposição das autoridades responsáveis” e que exerce “atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”.
Também foram atingidos pela segunda fase da operação o empresário Nelson Tanure, 74 anos, alvo de mandados de busca e apreensão, e João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, que teve mandados de busca e apreensão e posteriormente foi liquidada pelo Banco Central.
Sobre Tanure, a defesa publicou uma carta negando envolvimento, afirmando que “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”.
O papel da Reag e as suspeitas de movimentações atípicas
A gestora antes conhecida como Reag, que geria fundos relevantes no mercado, passou a ser investigada por suposta atuação em benefício do grupo Master, com indícios de movimentação atípica de recursos, inflação de resultados e redução de riscos aparentes.
Em documentos da investigação constam sinais de que estruturas de fundos teriam sido usadas para operações que hoje atraem apurações por lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
Segundo informações da própria empresa, a Reag repudiou publicamente alegações que a vinculam a práticas irregulares, e a PF segue a linha de investigação que envolve fluxos financeiros entre gestoras, fundos e o conglomerado controlado por Vorcaro.
Impacto financeiro e próximos passos
Estudos preliminares citados por autoridades estimam que a quebra do Banco Master e do Will Bank, ligados ao mesmo conglomerado, pode ter impacto de R$ 47 bilhões no mercado financeiro brasileiro.
Além disso, a investigação mira transações e contratos que podem revelar um esquema mais amplo, com uso de estruturas societárias complexas para deslocamento de ativos e proteção de patrimônios.
Entre os próximos passos, a PF tem remarcado depoimentos e ampliado pedidos ao Judiciário por medidas como bloqueios de patrimônio, buscas e novas diligências para aprofundar as conexões entre os alvos e as operações suspeitas.
Defesas e argumentos apresentados
As defesas dos investigados têm negado irregularidades e ressaltado que negociações, como as tratativas com o BRB, teriam permanecido em estágios preliminares, sem transferência definitiva de carteiras.
Em nota, os advogados de Vorcaro disseram que “as tratativas envolvendo a eventual cessão de ativos ao Banco de Brasília (BRB) permaneceram em estágio preliminar e não resultaram em qualquer transferência definitiva de carteiras” e defenderam que a estratégia do Master, baseada no Fundo Garantidor de Créditos, operava dentro das regras vigentes.
O desenrolar das investigações e as decisões judiciais nas próximas semanas devem definir se o caso chegará a novos alvos e qual será o alcance das medidas contra pessoas e empresas envolvidas no entorno do Banco Master.