Investigação da Polícia Federal avança sobre o Banco Master, apontando a liderança de Daniel Vorcaro e alcançando empresários e executivos, com impacto estimado em R$ 47 bilhões
A apuração sobre o Banco Master ganhou novas frentes nas últimas semanas, com prisões, mandados de busca e bloqueios judiciais que ampliaram o alcance das suspeitas.
No centro do caso está o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização investigada por crime contra o Sistema Financeiro Nacional.
As diligências miram também empresários próximos ao conglomerado, entre eles o pastor e empresário Fabiano Zettel, o gestor João Carlos Mansur e o investidor Nelson Tanure, e já trouxeram à tona valores e apreensões bilionários, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem é o foco principal, Daniel Vorcaro
Daniel Bueno Vorcaro, de 42 anos, virou o principal investigado da Operação Compliance Zero depois de ser preso em 18 de novembro, no momento em que tentava embarcar para Dubai.
A PF afirma que ele seria o líder de um grupo que teria articulado a venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília, num negócio que, segundo a investigação, deixou um prejuízo de R$ 12,2 bilhões ao BRB.
A defesa de Vorcaro afirma a inocência e enviou nota dizendo, “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue colaborando integralmente com as autoridades e acredita que a análise completa dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”.
Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro disse, “O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo, E após a gente começar a crescer, muda-se a regra do jogo”.
Na primeira fase da operação, foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 230 milhões, entre obras de arte, joias e dinheiro em espécie. Vorcaro chegou a ser solto em 28 de novembro, e desde então passa a responder com tornozeleira eletrônica.
Cunhado e pastor, Fabiano Zettel
Fabiano Campos Zettel, de 50 anos, foi detido em 14 de janeiro no Aeroporto de Guarulhos pouco antes de embarcar para os Emirados Árabes, e liberado no mesmo dia.
Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, é cunhado de Vorcaro e já atuou em empresas do grupo, além de participar da compra da mansão usada pelo banqueiro em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões.
Em nota, a assessoria disse não ter tido acesso ao teor das investigações e afirmou que Zettel “tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”.
O empresário também figurou como grande doador de campanhas, com doações somando cerca de R$ 5 milhões a candidatos em 2022, e é pastor vinculado à Igreja Batista da Lagoinha.
Gestores e operadores, João Carlos Mansur e Nelson Tanure
João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi alvo de mandados de busca e apreensão, e a gestora foi posteriormente liquidada pelo Banco Central, em meio às investigações que apontam uso de fundos para movimentações atípicas e indícios de lavagem de dinheiro.
Em seu site, a empresa repudiou as alegações e disse que reportagens buscam indevidamente associar a companhia a práticas irregulares.
Segundo a Anbima, a gestora tinha cerca de R$ 299 bilhões em fundos sob administração, o que a coloca entre as maiores do país, e Mansur já havia sido alvo da Operação Quasar, em investigações de 2025.
O investidor Nelson Tanure, de 74 anos, também recebeu mandados de busca, e a Procuradoria teria apontado que ele atuaria “exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas” nos negócios relacionados ao Master, e houve ordem de bloqueio de bens.
Tanure publicou carta negando envolvimento, afirmando, “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”.
Impactos para o mercado e próximos passos da investigação
Estudos preliminares citados nas apurações estimam que a quebra do Banco Master e do Will Bank pode provocar um impacto de aproximadamente R$ 47 bilhões no mercado financeiro brasileiro.
Além das diligências e prisões pontuais, a investigação tem buscado mapear estruturas societárias e fluxos de recursos que podem ampliar o alcance das suspeitas para além do banco.
As defesas dos investigados têm negado irregularidades, e os relatos oficiais apontam que as tratativas com o BRB, segundo a defesa de Vorcaro, “permaneceram em estágio preliminar e não resultaram em qualquer transferência definitiva de carteiras”.
O andamento das apurações inclui pedidos ao Supremo Tribunal Federal, bloqueios e providências do Banco Central, e a expectativa é que novas fases e diligências tragam mais informações sobre a rede de relações e eventuais responsabilidades.
Enquanto a investigação segue em curso, autoridades e advogados mantêm versões conflitantes, e o caso do Banco Master segue entre os episódios mais relevantes do setor financeiro em 2025 e 2026.