quinta-feira, junho 4, 2026

Dólar abre em queda e mercado mira Superquarta, decisões do Copom e do Fed, inflação e tensão geopolítica que podem alterar a trajetória da moeda

Share

Expectativa de manutenção das taxas no Brasil e nos EUA na Superquarta, com IPCA-15 mais fraco, projeções de cortes da Selic e risco político internacional influenciando o dólar

O dólar abriu em queda, após encerrar a sessão anterior no menor nível desde maio de 2024, enquanto investidores se preparam para a Superquarta, com decisões de juros no Brasil e nos EUA.

Movimentos recentes na inflação e sinais sobre o ciclo de política monetária têm guiado a cotação, ao lado de eventos geopolíticos que aumentam a aversão ao risco.

Veja a seguir os fatores que explicam a queda do câmbio, as perspectivas do Copom e do Fed, e o impacto nas bolsas, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o dólar caiu ontem

Na véspera, o dólar encerrou a sessão de terça-feira (27) em queda de 1,41%, a R$ 5,2056, no menor nível desde maio de 2024. O movimento veio após a divulgação do indicador prévio de inflação, o IPCA-15 de janeiro, que subiu 0,20%, abaixo da projeção do mercado de alta de 0,22%.

No acumulado, os números mostram: Acumulado da semana: -1,41%, Acumulado do mês: -5,16%, Acumulado do ano: -5,16%. Essas leituras ajudaram a reduzir a pressão sobre o câmbio, ao sinalizar inflação mais comportada no curto prazo.

Inflação e expectativas para juros no Brasil

O IPCA-15 registrou alta de 0,20% em janeiro, e no acumulado de 12 meses a inflação ficou em 4,50%. Os maiores aumentos foram em saúde e cuidados pessoais e em comunicação, enquanto preços de transportes caíram, influenciando o resultado geral.

Com a prévia da inflação em mãos, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária, o Copom, mantenha a taxa Selic inalterada nesta reunião, mas inicie um ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026. Segundo o Boletim Focus, economistas do mercado estimam que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano, uma queda de 2,75 pontos percentuais (p.p.) em comparação ao atual patamar, de 15% ao ano.

Superquarta nos EUA, Fed e riscos políticos

No mesmo dia, o Federal Reserve se reúne para definir a taxa de juros nos EUA, na chamada Superquarta. A expectativa também é de manutenção das taxas por lá. Porém, a atenção segue voltada para a sequência de embates entre o presidente Donald Trump e o Fed.

Recentes ataques de Trump ao presidente da instituição, Jerome Powell, e a possibilidade de indicação de um novo nome para a presidência do Fed elevam a cautela, por temor de que pressões políticas possam reduzir a independência do banco central americano. O mandato de Powell termina em maio.

Cenário internacional, mercados e o que observar

O cenário externo também pressionou decisões de investidores. Na segunda, Trump elevou tarifas sobre produtos da Coreia do Sul de 15% para 25%, e a China anunciou maior aproximação com a Rússia, enquanto a União Europeia e a Índia fecharam um novo pacto comercial que reduz tarifas em setores importantes.

Em Wall Street, os índices fecharam mistos: S&P 500 subiu 0,42%, Nasdaq Composite avançou 0,91%, e Dow Jones caiu 0,83%. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,6%, e em Ásia a maioria das bolsas fechou em alta, com destaque para Hang Seng, Kospi e Nikkei, conforme informações da agência de notícias Reuters.

Para os investidores, os pontos a acompanhar nas próximas horas são a decisão do Copom, a decisão do Fed, as comunicações oficiais dos dois bancos centrais e sinais sobre a continuidade das tensões comerciais e políticas globais. Movimentos inesperados em qualquer uma dessas frentes podem reverter rapidamente a tendência de queda do dólar e alterar o humor das bolsas.

Leia Mais

Fique por dentro