quinta-feira, junho 4, 2026

Trump diz que valor do dólar é ótimo, fala em ‘nivelar-se’ enquanto índice cai a 95,566, menor patamar em quatro anos, e preocupa mercados sobre inflação e comércio

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Reações do mercado aceleraram a desvalorização do dólar após declarações do presidente em Iowa, com operadores avaliando intervenção, alta do iene e sinais de pressão inflacionária

O presidente Donald Trump afirmou que o valor do dólar é “ótimo” ao ser questionado se a moeda havia caído demais, em comentários feitos a repórteres em Iowa que pressionaram ainda mais a cotação.

A fraqueza da moeda americana tem sido atribuída a expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, incertezas sobre tarifas, volatilidade nas políticas e aumento dos déficits fiscais, fatores que corroem a confiança dos investidores.

As informações reunidas nesta reportagem constam em cobertura do g1, que registrou a sequência de quedas e as análises de mercado sobre o impacto desta desvalorização na economia global, nos exportadores e na inflação, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o dólar caiu

O movimento de baixa do dólar intensificou-se com a expectativa de que o Federal Reserve volte a reduzir juros, e com sinais de instabilidade em políticas econômicas, inclusive ameaças à independência do banco central.

Além disso, operadores reagiram a possíveis verificações de taxas entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, e ao fortalecimento da moeda japonesa, que subiu até 4% em duas sessões, segundo relatos do mercado.

O índice do dólar, que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas principais, registrou perda acelerada após os comentários de Trump, alcançando mínima da sessão em 95,566, o menor nível desde fevereiro de 2022.

Efeitos de um dólar mais fraco

Um dólar mais fraco pode ajudar exportadores americanos, tornando seus produtos mais competitivos no exterior, e facilita a conversão de lucros de multinacionais, mas encarece importações e pode gerar pressões inflacionárias.

Especialistas consultados destacam que a moeda em queda também reduz o peso da dívida denominada em dólares para países e empresas estrangeiras, porque eles precisam de menos moeda local para quitar esses compromissos.

O que disseram Trump e analistas

Perguntado se achava que o dólar havia caído demais, Trump respondeu, “Não, eu acho ótimo, o valor do dólar… o dólar está indo muito bem”. Em outro momento, ele disse, “Eu gostaria que ele… simplesmente encontrasse seu próprio nível”.

Analistas ouvidos pela cobertura citada alertam para a influência dos sinais do presidente sobre o comportamento do mercado. “Os participantes do mercado cambial estão sempre à procura de uma tendência para seguir”, disse Steven Englander, chefe de pesquisa global de moedas do G10 e estratégia macro para a América do Norte do Standard Chartered, em Nova York, acrescentando que a indiferença presidencial pode encorajar vendas adicionais de dólares.

Eugene Epstein, chefe de operações e produtos estruturados da Moneycorp, em Nova Jersey, afirmou que “o governo quer um dólar mais fraco”, destacando que isso ajuda a melhorar o déficit comercial. Por outro lado, Steve Sosnick, estrategista de mercado da Interactive Brokers, chamou a situação de “uma faca de dois gumes”, por beneficiar multinacionais e ao mesmo tempo elevar o custo de bens importados.

O que observar adiante

Investidores e autoridades seguirão atentos a novas declarações sobre intervenções cambiais, comunicados do Fed e dados fiscais dos EUA, que poderão influenciar a trajetória do valor do dólar.

Para quem acompanha o mercado, a combinação de política monetária, tensões comerciais e déficits fiscais continuará determinando volatilidade, com efeitos distintos para exportadores, importadores e a inflação doméstica.

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