Decisão unânime do Copom deixa taxa Selic em 15% desde junho, com promessa de iniciar flexibilização em março se o cenário de inflação se confirmar
O Comitê de Política Monetária, Copom, decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião mais recente.
Ao mesmo tempo, o órgão sinalizou que, se as projeções se confirmarem, iniciará cortes já na próxima reunião, em março.
Essas informações foram divulgadas pelo Copom em nota oficial, e explicam a expectativa por uma inflação mais controlada, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse o Copom e a mensagem para março
Na nota, o comitê afirmou textualmente, “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta“, escreveu o Copom.
Antes disso, no comunicado anterior, o Comitê havia informado que a taxa será mantida nesse patamar por um “período bastante prolongado” de tempo, o que reforçou a percepção de que o ciclo de aperto está estável, até que as projeções de inflação mudem.
Por que a taxa Selic segue em 15% e o contexto histórico
A atual taxa de 15% é o maior patamar em quase 20 anos, lembrando que em julho de 2006 a Selic estava em 15,25% ao ano.
A taxa Selic está neste nível desde o fim de junho, e esta foi a quarta reunião seguida em que o Banco Central optou por manter os juros nesse patamar.
Desde o ano passado, integrantes do governo têm defendido reduções, argumentando que os juros elevados pressionam a atividade econômica, mas o Copom prioriza garantir a convergência da inflação à meta antes de aliviar a política monetária.
Composição do Comitê e votos ausentes
A decisão desta reunião foi unânime, porém o encontro ocorreu com dois votos a menos, em razão das saídas dos diretores Renato Gomes, de Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Guillen, de Política Econômica.
O governo ainda não indicou substitutos, e a composição do Copom, que inclui o presidente do Banco Central e oito diretores, tem papel direto nas decisões, sendo que os diretores indicados pelo presidente formaram maioria no colegiado em 2025.
Como o Banco Central decide a taxa Selic e o horizonte das medidas
O Banco Central define os juros com base no sistema de metas para a inflação, avaliando projeções futuras, e não apenas a variação corrente dos preços.
Desde o início de 2025, com o sistema de meta contínua, o objetivo de 3% passa a ser considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Com a inflação permanecendo seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC divulgou uma carta pública, em que o presidente Gabriel Galípolo atribuiu o comportamento da inflação a “a atividade econômica aquecida, o câmbio, o custo da energia elétrica, além de anomalias climáticas”.
O Comitê lembra também que os efeitos de mudanças na taxa Selic levam de seis a 18 meses para se materializar plenamente na economia, por isso a atenção às projeções futuras é central para o timing de cortes ou aumentos.
Em suma, a manutenção da taxa Selic em 15% foi acompanhada de uma sinalização clara de início de cortes em março, desde que os indicadores de inflação evoluam conforme o esperado, e os próximos meses serão decisivos para confirmar essa trajetória.