quinta-feira, junho 4, 2026

Volta dos IPOs, por que empresas brasileiras escolhem abrir capital agora e listam-se nos EUA com PicPay e Agibank, e como os juros altos moldam a estratégia

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A primeira oferta em quatro anos, com PicPay na Nasdaq, e o cenário de juros elevados, cortes esperados da Selic e a preferência por bolsas americanas explicam a retomada

Três fatores concentram a atenção de empresas que voltam a buscar a Bolsa, em especial nos Estados Unidos, a começar pela atratividade relativa entre renda fixa e variável.

O ritmo mais lento de ofertas no Brasil, os pares setoriais listados em Wall Street e a expectativa de queda gradual dos juros influenciam a decisão de abrir capital agora.

Conforme informação divulgada pelo g1, especialistas apontam que essa é a primeira oferta pública inicial de ações em quatro anos, enquanto o PicPay estreia sua listagem na Nasdaq, e o Agibank anunciou IPO sem data definida.

Por que muitas empresas brasileiras vão aos EUA

Muitas companhias brasileiras escolhem a bolsa americana por uma combinação de fatores, entre eles o histórico do setor, a presença de concorrentes em Wall Street e a busca por um universo maior de investidores.

No caso do PicPay, a empresa segue exemplos do setor financeiro e de pagamentos já listados nos EUA, como Nubank, PagSeguro, StoneCo e XP, o que cria um roteiro conhecido para investidores estrangeiros.

Leonardo Resende, superintendente de empresas e mercado de capitais da B3, ressalta que “essa escolha depende de uma série de fatores, definidos caso a caso, envolve uma análise do setor, da tese de investimento, do histórico da empresa e de onde os concorrentes estão listados, seja no Brasil ou em outros mercados”, conforme informação divulgada pelo g1.

O papel dos juros na decisão de abrir capital

Um dos motivos centrais para a menor atividade de IPOs no Brasil foi a escalada dos juros domésticos, que tornaram a renda fixa mais atraente para investidores.

Conforme informação divulgada pelo g1, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos, e isso reduziu o apetite por risco e a demanda por ações novas.

Como explica Roderick Greenlees, diretor global de investment banking do Itaú BBA, “O que aconteceu no Brasil é que os juros subiram e não recuaram. Estamos falando de uma taxa real de dois dígitos, que é muito alta. Isso acaba inibindo investidores de fazer qualquer coisa que não seja comprar um instrumento de renda fixa”.

Bruno Saraiva, do Bank of America no Brasil, afirma que “Essa é uma parte importante do quebra-cabeça que acabou se desfazendo nos últimos anos. À medida que os juros subiram, fundos de equity perderam muito dinheiro”, conforme informação divulgada pelo g1.

Greenlees complementa que “Se você observar os fundos multimercados e, principalmente, os de ações, eles foram praticamente extintos nos últimos dois ou três anos. Muitos acabaram sendo descontinuados por causa desse cenário”, conforme informação divulgada pelo g1.

Comparação com o ambiente nos Estados Unidos

O mercado americano já iniciou um ciclo de cortes, o que melhora a percepção de risco e estimula investidores a procurar ações e IPOs, diferentemente do Brasil, onde a Selic permaneceu alta por mais tempo.

Conforme informação divulgada pelo g1, o ciclo de cortes do Federal Reserve começou em setembro, quando o Fed reduziu as taxas em 0,25 p.p., para a faixa de 4% a 4,25%, e desde então realizou mais dois cortes, ficando atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%.

Essa diferença de trajetória entre os bancos centrais torna o mercado americano mais receptivo para ofertas, especialmente para empresas que querem alcançar investidores globais e benchmarks setoriais em Wall Street.

O que esperar da retomada de IPOs no Brasil

Para os especialistas, a perspectiva de cortes de juros no Brasil já no primeiro trimestre alimenta expectativas mais positivas para o mercado de ações e para uma retomada moderada das ofertas.

Conforme informação divulgada pelo g1, dados do último boletim Focus indicam que a Selic deve terminar este ano em 12,25% ao ano, uma redução de 2,75 p.p. em relação ao patamar atual.

Roderick Greenlees avalia que essa queda esperada, embora não traga uma explosão de ofertas como em 2021, é suficiente para retomar algumas emissões, porque sinaliza menos pressão sobre fundos de ações e maior vontade de investidores de assumir risco.

Bruno Saraiva conclui, conforme informação divulgada pelo g1, que “Estamos cautelosamente otimistas para 2026, mas ainda será apenas o início de uma retomada, com poucas operações no Brasil”, e reforça que uma agenda de reformas e continuidade na queda dos juros pode ampliar a atividade do mercado de capitais nos anos seguintes.

Em resumo, a volta dos IPOs no Brasil passa por um ajuste de condições macroeconômicas, decisões estratégicas de empresas em busca de maior liquidez e visibilidade e sinais de melhora nos juros que podem reativar a oferta de ações no país.

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