quinta-feira, junho 4, 2026

UE recolhe carne bovina brasileira com hormônio proibido; Brasil garante rastreabilidade e conformidade

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União Europeia recolhe lotes de carne brasileira após detecção de hormônio proibido

A União Europeia realizou o recolhimento de lotes de carne bovina proveniente do Brasil após a identificação de um hormônio que é estritamente proibido no bloco. A porta-voz da Comissão Europeia de saúde, Eva Hrncirova, informou ao g1 que a situação envolveu a certificação incorreta para a exportação de “pequenos volumes de carne congelada”.

A Missão Brasil na União Europeia, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, divulgou uma nota esclarecendo que foram as próprias autoridades brasileiras que notificaram os europeus sobre a detecção do estradiol. Este hormônio, embora produzido naturalmente pelas vacas e utilizado para sincronizar o cio dos animais, não é permitido em níveis que configurem uso para ganho de peso ou similar na carne destinada ao mercado europeu.

A nota oficial da Missão Brasil na UE destacou que, como resultado do trabalho coordenado entre as autoridades, as remessas afetadas foram devidamente recolhidas. A declaração enfatiza que o caso é considerado uma “ocorrência rara”, buscando tranquilizar quanto à segurança alimentar.

Entendendo o uso do Estradiol e as exigências europeias

O estradiol é um hormônio que, quando aplicado, faz com que todas as fêmeas entrem no cio no mesmo período, facilitando o manejo reprodutivo. Na pecuária brasileira, seu uso é permitido para fins terapêuticos e, especificamente, para reprodução ou inseminação. No entanto, a União Europeia possui regras rigorosas sobre a presença de hormônios com potencial de alteração no crescimento ou metabolismo dos animais para exportação.

Em resposta às exigências da UE, a Associação Brasileira das Empresas de Auditoria e Certificação de Rastreabilidade (ABCAR) implementou, em janeiro de 2025, o Protocolo para Exportação de Fêmeas Bovinas (PEFB). Este protocolo visa garantir a rastreabilidade de fêmeas tratadas com estradiol e assegurar que apenas animais que nunca receberam o hormônio sejam abatidos para exportação ao bloco europeu.

Brasil garante conformidade e segurança alimentar

As autoridades brasileiras têm mantido discussões com a Comissão Europeia para implementar “medidas corretivas e um plano de ação eficaz”, visando assegurar que o sistema de certificação do Brasil permaneça em conformidade com as regras da UE em matéria de segurança alimentar e saúde pública. A intenção é manter a confiança no rigor sanitário brasileiro.

O país conta com o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) para monitorar a conformidade. Em 2023, dados do programa indicaram que 99,76% da carne analisada estava em conformidade com os padrões estabelecidos, demonstrando o alto nível de controle e segurança do setor. A pecuária brasileira reforça seu compromisso com a qualidade e a segurança dos produtos exportados.

Contexto de negociações comerciais e preocupações do agro europeu

A confirmação do recolhimento dos lotes de carne ocorreu em um momento sensível, uma semana antes de o Conselho Europeu se reunir para debater o acordo entre Mercosul e União Europeia. Este tratado enfrenta oposição de alguns países europeus, como a França, que expressam receios quanto à concorrência com produtos agropecuários do Mercosul, especialmente os brasileiros.

Anteriormente, parlamentares franceses chegaram a comparar a carne produzida no Mercosul a “lixo”, alegando que seria “cheia de hormônios de crescimento” e antibióticos. Tais acusações foram rebatidas por representantes do setor e pesquisadores, que destacaram que o uso de hormônios de crescimento é proibido na pecuária brasileira, e que o estradiol, quando utilizado, é para fins reprodutivos e em conformidade com a legislação.

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