Preço do ouro segue em alta com cotação perto de US$ 5.600 por onça, enquanto tensões entre EUA e Irã e a desvalorização do dólar elevam a demanda por ativos seguros
O mercado do preço do ouro registrou forte valorização nesta quinta-feira, com a cotação se aproximando de US$ 5.600 por onça, em reação a ameaças do presidente dos Estados Unidos contra o Irã e ao enfraquecimento do dólar.
A pressão geopolítica levou investidores a buscar proteção em metais preciosos, e a prata também teve alta temporária, diante da migração de demanda.
As informações sobre a disparada dos preços foram amplamente noticiadas nesta quinta, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimento dos preços e números
O preço do ouro chegou a subir mais de US$ 300 em determinado momento na sessão asiática e superou US$ 5.595 por onça, um novo pico que equivale a mais de R$ 29 mil por onça, segundo a apuração do g1.
Analistas e operadores apontam que o avanço reflete, simultaneamente, a escalada de tensões no Oriente Médio e a desvalorização do dólar, fatores que costumam estimular a procura por ativos considerados refúgio.
Declarações que mexeram com o mercado
As falas do presidente americano, replicadas em redes e na imprensa, intensificaram a aversão ao risco. Em sua plataforma, Trump escreveu a expressão “ARMAS NUCLEARES NÃO”, e em outras mensagens afirmou, segundo registros, “O próximo ataque será muito pior. Não deixem que isso volte a acontecer”, em referência a bombardeios anteriores contra instalações iranianas.
O próprio presidente disse estar “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”, declaração que contribuiu para o aumento da tensão e para a busca por proteção no mercado de metais.
Demanda por prata e comportamento do dólar
Com o ouro tão caro, parte dos investidores, especialmente no mercado físico de Hong Kong, passou a comprar prata como alternativa. Lojas locais relataram esgotamento rápido de barras, e consumidores disseram que o ouro ficou “caro demais” para compras menores.
O dólar, pressionado, também ajudou a impulsionar o preço do ouro. Mesmo com o secretário do Tesouro americano declarando à CNBC que “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”, a moeda segue enfraquecida após sinais de apoio do presidente a uma desvalorização.
Repercussão nos mercados de energia e percepção de risco
Além dos metais, as tensões fizeram subir os preços do petróleo, com o West Texas Intermediate e o Brent registrando ganhos e atingindo níveis não vistos há meses, diante de preocupações sobre oferta no Oriente Médio.
Para analistas, o movimento atual do preço do ouro demonstra que, em períodos de credibilidade política enfraquecida, o metal deixa de ser apenas um porto seguro e passa a ser visto como alternativa de reserva de valor. Como observou o analista Stephen Innes, “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão”.
O episódio reforça o papel do preço do ouro como termômetro de risco geopolítico, enquanto investidores monitoram novos desdobramentos das negociações e a movimentação naval americana, incluindo um grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln na região.