Ministro Fernando Haddad afirma que interlocução só começou com Gabriel Galípolo, que abriu auditoria no Banco Central para apurar falhas de fiscalização na era Campos Neto
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não houve comunicação entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto.
Segundo Haddad, o diálogo só teria começado a partir da posse do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que instaurou investigação interna após a liquidação extrajudicial do Banco Master.
O episódio motivou uma auditoria do BC para verificar eventuais falhas no processo de fiscalização e liquidação do banco de Daniel Vorcaro, medida tomada em novembro do ano passado, e mantida em sigilo pela autoridade monetária, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse Haddad sobre a falta de diálogo
Questionado sobre a comunicação entre as instituições, Haddad afirmou, literal e publicamente, “Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo. O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”.
Ao comentar a gravidade das descobertas, Haddad afirmou também, “E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, ai não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de má gestão, você está falando de crime”.
Sobre contato com o dono do banco, Haddad disse, “sequer conhecia a imagem dele”.
Auditoria interna do Banco Central
Conforme o g1, o Banco Central abriu um procedimento interno em novembro para investigar a atuação da área técnica durante o aumento das operações de risco do Banco Master.
A auditoria, que corre sob sigilo, tem como foco as medidas adotadas desde 2019, no período em que Roberto Campos Neto presidiu o órgão, e busca entender por que a fiscalização demorou a identificar a deterioração do banco.
Linha de trabalho e defesas dos ex-gestores
Fontes informaram que, apesar das defesas de ex-gestores do banco alegarem que a liquidação foi precipitada, a principal linha de trabalho da auditoria é a de que existiam elementos para que a medida tivesse sido tomada antes.
O procedimento mira identificar se houve falhas técnicas ou se sinais de risco foram subestimados, e é parte da apuração que envolveu também o Ministério Público e a Polícia Federal, após suspeitas de fraude.
Impactos e próximos passos
O desfecho da auditoria pode influenciar responsabilidades internas no BC e possíveis medidas administrativas ou penais contra envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
Enquanto a investigação segue em sigilo, a declaração de Haddad reforça que a interlocução institucional se intensificou apenas com a nova gestão do Banco Central, e que a apuração busca esclarecer o momento em que sinais de risco passaram a ser visíveis.