quinta-feira, junho 4, 2026

Perdas do BRB podem chegar a R$ 5 bilhões por operações com o Banco Master, diz diretor do BC Ailton Aquino em depoimento à PF, Reuters

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BRB terá de provisionar além dos R$ 2,6 bilhões pedidos pelo BC, com ajuste no balanço que pode superar R$ 5 bilhões, segundo depoimento à Polícia Federal

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, prestou depoimento à Polícia Federal no final de dezembro e disse que a reserva de recursos que o Banco de Brasília, o BRB, terá de separar pode alcançar cifras bem maiores do que as inicialmente estimadas.

Segundo o relato, o valor necessário para cobrir operações entre o BRB e o Banco Master pode exigir um ajuste contábil significativo, em razão da qualidade dos ativos transferidos e de operações sob investigação.

As declarações constam em depoimento visto pela Reuters e foram publicadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1

O que disse o diretor do BC

No depoimento, Ailton Aquino afirmou, literalmente, “Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, segundo a Reuters.

Ele acrescentou que “A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. […] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, indicando, assim, um cenário bem superior ao pedido inicial do Banco Central.

Valores e cronologia

O Banco Central havia solicitado inicialmente que o BRB separasse R$ 2,6 bilhões para cobrir eventuais rombos em operações com o Master. A nova estimativa, incluindo a provisão extra de R$ 2,2 bilhões mencionada no depoimento, eleva o ajuste potencial para cima de R$ 5 bilhões.

O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro. No mesmo dia, o proprietário do Master, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes bilionárias, ele depois foi solto e cumpre medidas cautelares.

Investigação e decisões do BC

O depoimento de Aquino integra um inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, que apura, entre outros pontos, possíveis fraudes nas transações entre o BRB e o Master. Em setembro, o BC já havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, após análise da capacidade financeira da instituição para assumir o negócio.

Aquino também relatou que o BC vinha questionando o banco desde março, com a equipe de supervisão, auditoria e chefia da divisão acompanhando as operações do BRB, segundo o depoimento.

Reações e defesa

A defesa de Daniel Vorcaro divulgou nota afirmando que as carteiras de crédito discutidas com o BRB “foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC”.

Os advogados também disseram que o BRB aprovou a aquisição dos ativos “dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época” e acrescentaram que “A defesa de Daniel Vorcaro lamenta que trechos de depoimentos estejam sendo divulgados fora de contexto, segue colaborando integralmente com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações que não correspondem à realidade”, ressaltou a defesa.

Procurados, o Banco Central e o BRB não responderam de imediato a pedidos de comentário, segundo as informações divulgadas.

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