Perdas do BRB podem exigir provisão superior a R$ 5 bilhões, segundo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, elevando pressão sobre o balanço
O Banco de Brasília pode ter de reservar até R$ 5 bilhões para cobrir operações feitas com o Banco Master, conforme depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
O montante sugerido no depoimento é quase o dobro da provisão inicial pedida pelo BC, de R$ 2,6 bilhões, e acende um alerta para a qualidade dos ativos transferidos ao BRB.
O depoimento foi prestado à Polícia Federal e visto pela Reuters, e as informações foram relatadas pelo g1, num inquérito que investiga negociações e potenciais fraudes envolvendo as instituições, conforme informação divulgada pelo g1.
Depoimento de Ailton Aquino
No depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central fez avaliações diretas sobre a situação, citando a qualidade dos ativos e a necessidade de ajustes.
Ele afirmou, textualmente, “Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, segundo trechos do depoimento vistos pela Reuters.
Ao detalhar o impacto no balanço do BRB, Aquino disse que “A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. […] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, conforme trecho do depoimento.
O tamanho das provisões e o impacto nas contas
Os números citados por Aquino colocam as Perdas do BRB em patamar significativamente maior do que a estimativa inicial do Banco Central, que havia pedido provisão de R$ 2,6 bilhões.
Além da menção aos R$ 2,2 bilhões que ainda precisariam ser provisionados, o depoimento sugere que o ajuste total poderá superar R$ 5 bilhões, o que representa um impacto relevante no balanço de um banco controlado pelo poder público.
Se confirmadas, essas provisões podem reduzir a capacidade do BRB de suportar novos créditos e aumentar a necessidade de reforços patrimoniais, elevando a atenção de reguladores e do mercado.
Contexto judicial, operação e resposta da defesa
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, no mesmo dia em que o dono da instituição, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em operação da Polícia Federal que investiga suspeita de fraudes bilionárias.
Vorcaro foi posteriormente solto, mas cumpre medidas cautelares. Em setembro, o BC já havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, após análise da capacidade financeira para assumir o negócio.
Sobre os trechos do depoimento, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que “as carteiras de crédito objeto das tratativas com o BRB foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC”.
A defesa acrescentou, em nota, que “A defesa de Daniel Vorcaro lamenta que trechos de depoimentos estejam sendo divulgados fora de contexto, segue colaborando integralmente com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações que não correspondem à realidade”.
Procurados para comentar o depoimento e as estimativas de provisão, o Banco Central e o BRB não responderam de imediato a pedidos de informação, segundo as reportagens citadas.
O que vem pela frente
As citações de Ailton Aquino, se refletidas nas próximas demonstrações contábeis, podem obrigar o BRB a anunciar ajustes relevantes, e ampliar o foco das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal.
Analistas e reguladores vão acompanhar a publicação dos balanços e eventuais medidas de reforço de capital, enquanto o caso segue sob apuração, e as Perdas do BRB permanecem como um elemento central para avaliar o risco fiscal e financeiro associado ao episódio.