Dados do Caged apontam 1.279.498 vagas em 2025, serviços com alta, indústria pressionada pelo custo do crédito e dezembro com forte fechamento de postos
O Brasil registrou a criação de empregos formais em 2025, mas com o pior saldo anual desde 2020, ano da pandemia.
Os números mostram que a recuperação do mercado de trabalho perdeu intensidade diante do aumento dos juros e do custo do crédito, especialmente para a indústria.
Ao longo do ano houve alta nas contratações em todos os setores, com destaque para serviços, embora dezembro tenha fechado com muitos desligamentos, conforme informação divulgada pelo g1
O que mostram os números oficiais
Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, em 2025 foram criadas 1.279.498 vagas com carteira assinada, o menor resultado desde 2020, quando houve perda de postos, – 189.393.
O governo informou que, ao todo, no ano passado foram registradas 19,9 milhões de admissões e 18,6 milhões de desligamentos, e a série anual consolidada mostra, entre outros valores, 2024 com 1.677.575 vagas e 2023 com 1.455.279.
Setores, criação de vagas e impacto por segmento
Os cinco setores da economia tiveram saldo positivo em 2025, com o ramo de serviços liderando a criação de vagas. A distribuição foi, segundo o levantamento, Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil e Agropecuária: 41,9 mil.
Especialistas do ministério destacaram que segmentos como madeira, móveis e calçados, cujas encomendas iam para os EUA, sentiram o impacto de medidas externas, mas a avaliação oficial foi de que a principal dificuldade foi a falta de liquidez, devido ao custo elevado do crédito.
Por que o saldo foi o menor desde 2020
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado em grande parte ao impacto da alta de juros no país, com a taxa Selic chegando a 15% ao ano em 2025. Em discurso, Marinho afirmou, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia, Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento, Mas um processo de diminuição da velocidade, E isso acabou acontecendo”.
Sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, Marinho disse, “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço, E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.
Ele acrescentou que “O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço, E ele impactou segmentos pontuais, Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”.
Desempenho de dezembro e trajetória recente
Historicamente mês de desligamentos, dezembro de 2025 teve 618,2 mil vagas encerradas, um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados.
Na comparação anual, a série mostra quedas no ritmo de geração de postos desde o pico de 2021, quando o país registrou 2.782.295 vagas, até os números mais discretos de 2025.
O cenário descrito pelos dados indica que, apesar da criação de vagas em todos os setores, fatores internos e externos, como a alta da Selic e pressões sobre demanda de alguns mercados, reduziram o ritmo de geração de empregos ao longo de 2025.